Juros Altos: Como Enfrentar Esse Inimigo

Leia o texto completo  | Publicado em 25 de maio de 2016  | Sem Comentários

Antes de 1994, quando a URV (Unidade Real de Valor) foi substituída definitivamente pelo Real (a nova moeda que circula até hoje), a inflação era, de longe, o maior inimigo dos brasileiros e de nossa economia. De fato, àquela altura (junho de 1994), a inflação mensal era de 47,43% e a inflação anual alcançava o inacreditável patamar de 4.922%. Ou seja, o preço de todos os bens ou serviços subia quase 50% em um único mês, entre dois recebimentos consecutivos do mesmo salário!  Essa balbúrdia monetária destruía a renda das famílias, impedia o funcionamento regular do comércio e da indústria, forçava a estocagem exagerada de bens e matérias primas e comprometia as relações saudáveis de compra e venda ou das demais trocas mercantis. A causa básica por trás desse desarranjo todo era o crescimento descontrolado da base monetária (quantidade total de dinheiro em circulação na economia) decorrente do simplório comportamento dos governos, que passavam a imprimir mais moeda para fazer face às suas necessidades de gastar além das receitas. Em outros termos, cada vez havia mais dinheiro para comprar a mesma quantidade de bens e, como não poderia deixar de acontecer, os preços unitários explodiram.

A correção de rumo promovida pelo Plano Real conseguiu domar o feroz inimigo, pelo menos até recentemente, quando o recrudescimento inflacionário voltou a aparecer como uma ameaça perigosa. Atualmente, a exemplo de todos os demais países organizados, o Brasil passou a gerenciar a sua economia com o uso de algumas ferramentas eficazes no controle das ameaças inflacionárias. Uma dessas ferramentas é a fixação dos juros básicos ou primários por parte de um Banco Central razoavelmente independente. Sempre que a base monetária vier a se expandir além do desejável (normalmente pela ação dos governos ou pela aplicação de políticas públicas expansionistas) o Banco Central pode aumentar os juros básicos (taxa SELIC) para arrefecer a demanda pelo mesmo estoque de bens existente, impedindo, assim, o surgimento da chamada “inflação de demanda”. O maior custo do dinheiro na forma de crédito para compra ou de insumo financeiro para a produção e comercialização, inibe o consumo e por consequência, controla a inflação. Mas, esse tipo de ferramenta foi concebido e vem sendo aplicado nas nações organizadas para uso tópico em situações transitórias de descontrole público. Não deve e não pode ser aplicado por longos período de tempo, sob pena de causar outros prejuízos tão nefastos como a inflação alta que ele pretendia combater ou de transformar-se, ele próprio, no maior inimigo da economia.

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O que esperar do governo Temer

Leia o texto completo  | Publicado em 12 de maio de 2016  | 4 Comentários

O Brasil acaba de conceder ao Vice-Presidente Michel Temer a missão dificílima de formar e conduzir um governo de emergência nacional durante o período de até 180 dias em que se processará o julgamento final do processo de impeachment. É possível que esse mandato provisório venha a ser convertido em delegação para a chefia de um governo definitivo, dependendo do resultado final do julgamento da atual mandatária. Mas, neste tópico, pretendo abordar apenas esse primeiro e transitório estágio, dada a importância extraordinária de que ele se reveste.

De imediato, há um desafio ciclópico e que excede a capacidade individual de qualquer estadista, por mais qualificado e inspirado que seja ele: a de reunificar o país e sua representação política, para que toda a nação possa dedicar-se, coordenadamente, a reversão do atual quadro de deterioração econômica. Nessa emergência, não haverá espaço para divisionismo e para embates ideológicos. É fundamental que se estabeleça um clima de ampla cooperação que empolgue a nação em favor da necessidade incontornável de se vencer essa guerra duríssima.

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Quem é o inimigo?

Leia o texto completo  | Publicado em 2 de maio de 2016  | 10 Comentários

Os piores ingredientes da atual crise econômica e política são, a meu ver, o comportamento e as atitudes que nós brasileiros estamos tendo diante dela. De tudo o que já vivi, do que li e estudei e do que me relataram os meus pais, firmei a convicção de que o país jamais passou por uma situação tão grave e complicada quanto esta, que ainda não se expôs por completo e que, tampouco, atingiu o seu ponto de maior profundidade. Apesar disso tudo, nunca estivemos tão mal preparados e mal dispostos para enfrentar esse inimigo perigosíssimo.

Junto com a crise propriamente dita caímos em uma armadilha mortal, que nunca havia se manifestado antes no Brasil: deixamo-nos contaminar por uma insidiosa, inconveniente e perigosa divisão radical de natureza ideológica. O discurso que dividiu os brasileiros entre “nós” e “eles” acabou por polarizar os espíritos e por separar a nação, contrariamente à nossa tradição de povo tolerante e cordial. Nada de pior poderia ter acontecido neste momento, quando precisamos, justamente, de união, objetividade e coordenação para enfrentar a adversidade monumental que se nos apresenta e que põe em risco, pela primeira vez desde a fundação da nossa Pátria, a própria integridade futura da nação. Não podemos perseverar nesse comportamento deletério. Temos que pôr a cabeça no lugar, se não quisermos perdê-la! Porque, potencial para isso, a crise tem.

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Mazelas da Indústria

Leia o texto completo  | Publicado em 13 de abril de 2016  | 2 Comentários

Os diversos fatores (internos e externos) que concorreram para debilitar a economia brasileira no momento atual combinam-se de maneira diferenciada em sua ação deletéria pelos diversos setores e segmentos. Por isso, algumas atividades acusaram mais rapidamente os seus efeitos. Também por isso, outros segmentos foram afetados mais fortemente. No presente tópico, quero destacar especificamente o comportamento do setor industrial nessa época de crise e alinhavar algumas das características esperadas no período subsequente da sua recuperação.

De início, seria prudente observar que a forte redução observada nos meses mais recentes no setor terciário e, em especial, no comércio varejista, que apresentou a maior queda no volume de vendas dos últimos quinze anos, não deve ser generalizada ou estendida uniformemente aos demais setores, sem que se cometa um erro significativo de interpretação. De fato, em outros setores os efeitos foram menos pronunciados ou vêm ocorrendo de forma menos aguda. Por outro lado, existem segmentos econômicos que têm se ressentido da crise há mais tempo e de forma mais persistente, ainda que os seus indicadores apresentem quedas menos abruptas. Esse é especificamente o caso da Indústria, que pode ser apontada, sem risco de erro, como sendo o setor da economia nacional que mais se deteriorou nos últimos tempos. De fato, de acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a nossa produção industrial encerrou 2015 com o maior tombo registrado nos últimos doze anos (o recuo de 8,3% nesse ano é o maior desde 2003, quando teve início a série histórica dessa variável).

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Reflexões Sobre os Impostos

Leia o texto completo  | Publicado em 29 de março de 2016  | 2 Comentários

A aguda crise econômica atual trouxe a questão tributária nacional para o centro das discussões políticas, seja no âmbito das instituições representativas e demais foros da sociedade organizada, seja nas manifestações pessoais feitas informalmente nos locais de trabalho ou no ambiente doméstico. Pelo menos, para a parcela dos brasileiros que se enxergam como contribuintes e que têm uma percepção mais clara de como ocorre o financiamento das atividades de governo. O descontrole das contas públicas e o crescente déficit fiscal que caracterizam a crise atual têm feito com que o Estado manipule alíquotas, objetos de incidência, faixas de progressão e outros mecanismos que independem de autorização legislativa e que podem produzir algum alívio fugaz diante da incapacidade momentânea de proposições reformistas e estruturantes de longo termo ou da falta de vontade política para ajustar as despesas ao tamanho das efetivas disponibilidades financeiras.

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