Áreas Urbanas

Publicado em 26 novembro 2013

9 comentários

Nos próximos 25 anos, o país terá que construir, no mínimo, 35 milhões de novas moradias para atender o crescimento vegetativo da demanda e a eliminação de uma parte do nosso escandaloso déficit habitacional, concentrado nas cidades e em suas periferias imediatas. Já apontei neste blog a existência de diversos impedimentos à consecução desse objetivo. Mas, dessa vez, quero detalhar um pouco mais a questão da indisponibilidade de áreas urbanas para receber esse volume de novas construções e a sua conexão com a precariedade da infraestrutura de transporte (ultimamente tratada pelo pomposo nome de "mobilidade urbana"). Aliás, essa mudança repetitiva da denominação de "transporte público" para "mobilidade urbana" no discurso político e burocrático assemelha-se àquela adotada para rebatizar "pronto socorro" como "pronto atendimento", na tentativa de dar a impressão que o sistema de saúde exorcizou os seus demônios e passou a bem atender a população. Com um nome ou com outro, persiste a precariedade, tanto na saúde como no transporte.


De plano, há que se constatar que não existe mais estoque de terrenos loteados susceptíveis de ocupação por novas moradias regulares, nas áreas urbanas da maioria das grandes cidades brasileiras (fenômeno cujas razões examinei no tópico "Carência de Terras Urbanas" publicado neste blog em dezembro passado. Além disso, a implantação de novos loteamentos está cada vez mais desestimulada pelo excesso de burocracia e pelas dificuldades inacreditáveis que têm que ser vencidas pelos empreendedores durante as fases de licenciamento e aprovação dos projetos.


Esse quadro mereceria um esforço concentrado envolvendo as agências governamentais e as empresas loteadoras, focando as possibilidades de agregação de novas áreas em empreendimentos bem planejados (que ofereçam espaços especiais para a implantação de creches, escolas e comércio). E que sejam dotados da infraestrutura necessária (sistemas de coleta de esgoto e lixo, de entrega postal, de abastecimento público de água e energia, de boa iluminação, de unidades de segurança, de recreação e, sobretudo, de boa conexão com um sistema de transporte que possa garantir comodidade e rapidez nos deslocamentos entre as residências e os locais de trabalho.


A configuração básica apresentada no parágrafo anterior pode parecer óbvia ou excessivamente pretensiosa, conforme o ponto de vista. Mas não é, conforme já se observou em diversas situações de escassez crescente de lotes urbanos, no nosso próprio país e em outras nações. Diante da pressão por mais áreas para construção de moradias, temos que solucionar adequadamente o problema, rápida e eficientemente. Não podemos repetir os mesmos erros que ocorreram no México, por exemplo, diante da mesma escassez generalizada de terrenos urbanos. Naquele país, foram criados, às pressas, grandes bairros para novas ocupações, mas muito afastados das áreas que concentravam o comércio e os postos de trabalho e sem a infraestrutura básica. O resultado disso foi a perda do investimento pelas carências que inviabilizaram a ocupação desses novos bairros. Não há como se deixar de considerar a premissa básica: as pessoas só querem morar em áreas onde estão disponíveis as facilidades essenciais para a vida moderna, especialmente no que diz respeito aos equipamentos de transporte público. Aliás, para seguir a denominação da moda, onde existem as facilidades para a "mobilidade urbana".

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9 comentários para "Áreas Urbanas"

carlos alberto menino
carlos alberto menino disse: 29 novembro 2013
a solução esta no interior de são paulo,numa faixa de 60 km,investimento que certamente dara retorno rapido.
Imobiliária Silvio Iwata
Imobiliária Silvio Iwata disse: 13 dezembro 2013
No Brasil, em janeiro de 2012, foi aprovada a PNMU (Política Nacional de Mobilidade Urbana) , um conjunto de medidas que prometem melhorias no transito das grandes cidades brasileiras. A Lei 12.587 passou 17 anos tramitando no Congresso Nacional, e visa ampliar os transportes públicos e não motorizados como meio de melhorar a mobilidade urbana.
Também necessitamos de calçadas mais confortáveis e seguras, protegidas por sinalização, sem buracos ou qualquer tipo de obstáculo.
Priscila
Priscila disse: 30 dezembro 2013
Esse problema de moradias irregulares é muito comum em grandes capitais brasileiras como, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre, Curitiba, etc.. existem muitas casas com terrenos irregulares perto de ribanceiras ou de rios, e também muito distante das industrias e comércio o que acaba dificultando a vida desses moradores, das empresas que os contratam e do governo, mas é difícil acabar com esse problema já que os grandes centros já estão todos sendo ocupados com mansões e casarões que não deixam outra alternativa aos mais pobres de ter uma moradia irregular.
Priscila - Imóveis Guarulhos
Priscila - Imóveis Guarulhos disse: 30 dezembro 2013
Esse problema de moradias irregulares é muito comum em grandes capitais brasileiras como, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre, Curitiba, etc.. existem muitas casas com terrenos irregulares perto de ribanceiras ou de rios, e também muito distante das industrias e comércio o que acaba dificultando a vida desses moradores, das empresas que os contratam e do governo, mas é difícil acabar com esse problema já que os grandes centros já estão todos sendo ocupados com mansões e casarões que não deixam outra alternativa aos mais pobres de ter uma moradia irregular.
Priscila - Imóveis João Pessoa
Priscila - Imóveis João Pessoa disse: 30 dezembro 2013
Esse problema de moradias irregulares é muito comum em grandes capitais brasileiras como, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre, Curitiba, etc.. existem muitas casas com terrenos irregulares perto de ribanceiras ou de rios, e também muito distante das industrias e comércio o que acaba dificultando a vida desses moradores, das empresas que os contratam e do governo, mas é difícil acabar com esse problema já que os grandes centros já estão todos sendo ocupados com mansões e casarões que não deixam outra alternativa aos mais pobres de ter uma moradia irregular.
Priscila - Imóveis Maceió
Priscila - Imóveis Maceió disse: 30 dezembro 2013
Esse problema de moradias irregulares é muito comum em grandes capitais brasileiras como, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre, Curitiba, etc.. existem muitas casas com terrenos irregulares perto de ribanceiras ou de rios, e também muito distante das industrias e comércio o que acaba dificultando a vida desses moradores, das empresas que os contratam e do governo, mas é difícil acabar com esse problema já que os grandes centros já estão todos sendo ocupados com mansões e casarões que não deixam outra alternativa aos mais pobres de ter uma moradia irregular.
Priscila - Imóveis Pontal do Paraná
Esse problema de moradias irregulares é muito comum em grandes capitais brasileiras como, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre, Curitiba, etc.. existem muitas casas com terrenos irregulares perto de ribanceiras ou de rios, e também muito distante das industrias e comércio o que acaba dificultando a vida desses moradores, das empresas que os contratam e do governo, mas é difícil acabar com esse problema já que os grandes centros já estão todos sendo ocupados com mansões e casarões que não deixam outra alternativa aos mais pobres de ter uma moradia irregular.
Priscila - Imóveis Vitória
Priscila - Imóveis Vitória disse: 30 dezembro 2013
Esse problema de moradias irregulares é muito comum em grandes capitais brasileiras como, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre, Curitiba, etc.. existem muitas casas com terrenos irregulares perto de ribanceiras ou de rios, e também muito distante das industrias e comércio o que acaba dificultando a vida desses moradores, das empresas que os contratam e do governo, mas é difícil acabar com esse problema já que os grandes centros já estão todos sendo ocupados com mansões e casarões que não deixam outra alternativa aos mais pobres de ter uma moradia irregular.
Deise Costa
Deise Costa disse: 29 maio 2014
Acredito que o deficit habitacional não se resolverá de um dia pra noite, além disso num país como o nosso todo cuidado é pouco no quesito corrupção. Há os que se aproveitem da stuação par tirar vantagem. Muitas pessoas têm sido enganadas, não pelo governo diretamente, mas por intermediários. E não é apenas oferecer condições para aquisição da casa própria mas também condições de honrar o compromisso a longo prazo. Bem em outros países europeus em meados de 2000 houve um boom imobiliário onde todos poderiam ter sua casa própria, contudo uma crise assolou esses países e muitas famílias tiveram que entregar suas casas ao banco. Lá é habito irem viver com os familiares e aqui o que essas famílias fariam? Com certeza muitos bairros ilegais iriam se formar afim de suprir tal necessidade e como um círculo vicioso o problema poderá persistir.
É apenas um especulação do futuro pois não podemos nos limitar ao hoje.

Casas e imoveis em geral podem encontrar e anunciar em www.imo360.com.br

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