Carreira Profissional (3)

Publicado em 03 outubro 2012

Quero complementar as observações anteriores acerca da importância dos "estágios" e da disponibilidade para deslocamentos, com outro comentário que julgo relevante na construção das carreiras profissionais. Desta vez, vou focar a seleção criteriosa e estratégica das oportunidades de trabalho e a persistência nas direções proveitosas.

Embora possam parecer uma curva contínua, se pudessem ser representadas graficamente as carreiras profissionais apareceriam como uma sucessão de degraus justapostos. Cada degrau representaria um avanço ou progresso nessa curva, consubstanciando, quase sempre, níveis melhores de qualificação, de proficiência, de responsabilidade e de remuneração. Mas, na prática, cada um desses mesmos degraus resulta do desempenho alcançado, observado e avaliado no patamar que lhe é imediatamente antecedente.

Fiz a imagem do parágrafo anterior para enfatizar um aspecto que nem sempre é considerado pelos profissionais, especialmente por aqueles em princípio de carreira. É sempre um desperdício descartar um patamar já desenvolvido e a possibilidade de agregação de outro degrau, por conta da busca de outro vínculo empregatício, a menos que a nova oportunidade seja de fato muito superior ou conveniente. Esse desperdício costuma ser negligenciado por profissionais mais afoitos e imediatistas, que comparam degraus diferentes de carreiras também diferentes e desconsideram a perda inevitável de parte da experiência já acumulada em etapas antecedentes, sempre que optam por novo emprego. Esse é um ponto importante. Boa parte da experiência acumulada em cada patamar não resulta apenas do desenvolvimento de novas habilidades ou do aprendizado de novas técnicas de produção. Ela resulta, também, do envolvimento com uma equipe de trabalho, com um mesmo método de produção, com um mesmo sistema gerencial e com práticas uniformes de organização, próprias de cada empresa empregadora.

A inconstância nos objetivos e as mudanças frequentes de vínculo empregatício costumam gerar, para os profissionais, mais prejuízo do que benefícios, principalmente quando vistas sob a ótica enganosa de degraus que podem parecer uma melhoria imediata, mas que acabam por quebrar uma sequência mais proveitosa no longo prazo. Mesmo porque, essa mesma inconstância costuma ser utilizada como parâmetro de avaliação nos recrutamentos e promoções.

Em resumo, a construção exitosa de carreiras depende, além de outros aspectos, como a qualificação por exemplo, da escolha correta de boas oportunidades estratégicas e da persistência no desenvolvimento dos vínculos já construídos.
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