Como Proteger a Sua Poupança

Publicado em 10 fevereiro 2015

A queda relativa de rentabilidade das cadernetas de poupança – modalidade que vinha concentrando a preferência dos brasileiros comuns e daqueles menos habituados com os meandros do mercado de capitais – está deixando a maioria deles meio desnorteada, sem saber para onde transferir os seus investimentos ou as suas reservas para eventuais necessidades futuras. Em geral, a sociedade brasileira não tem o hábito arraigado da poupança, em qualquer das suas modalidades e, por isso mesmo, tem mais dificuldade que outros povos para lidar adequadamente com esse assunto. Mesmo aqueles que movimentam somas elevadas no mercado de capitais, às vezes se confundem com alguns conceitos básicos e correm riscos muito maiores do que suspeitavam, em alguns ativos menos concretos, especialmente em uma época de incertezas como a que está enfrentando, atualmente, a economia nacional.


Para simplificação, costumo considerar nos meus negócios pessoais e familiares, uma classificação diferente daquela adotada na contabilidade clássica, que divide os ativos em reais (imóveis, metais, obras de arte, participações societárias, máquinas, veículos, etc.) ou financeiros (títulos, apólices, letras cambiais, planos previdenciários, etc.). Prefiro separá-los de forma mais objetiva e simples, dividindo-os nos "concretos" e nos "intangíveis", considerando, sempre, que os primeiros são aqueles palpáveis que têm um valor intrínseco contido no próprio bem e que, geralmente, podem ser convertidos em moeda corrente sem perdas significativas, enquanto os segundos têm os seus valores estabelecidos arbitrariamente em cada ocasião, ainda que observando critérios de raridade, beleza, confiabilidade, liquidez, natureza, etc. Na minha juventude, ouvi o meu pai contar várias vezes uma anedota bem conhecida e que nunca mais me saiu da cabeça: "Uma família tinha três filhos jovens. O primeiro deles comprou um bonito relógio, pagando por ele 100 moedas. O segundo irmão, vendo aquilo pensou que o valor do relógio deveria ser mesmo muito elevado e tanto fez que acabou por comprá-lo do primeiro irmão por 110 moedas. O terceiro irmão, observando a cena, passou a considerar, também, que a posse do relógio haveria de ser um bom negocio e acabou comprando-o do anterior por 120 moedas. E esse círculo virtuoso continuou, com a troca sucessiva de propriedade entre os irmãos, que, a cada transação, aumentavam 10 moedas ao preço do relógio. Até que um dia, numa queda, o relógio se espatifou no chão e perdeu todo o seu valor. A lástima foi geral, e os três irmãos se lamuriavam em coro: que azar, logo agora que estávamos ficando ricos, o relógio quebrou!" Se pensarmos bem, tem muita gente fazendo raciocínio equivalente, desde os criadores de alguns cavalos de raça, até os colecionadores de pinturas, cerâmicas ou selos. Esses preços são sempre estabelecidos no âmbito de confrarias específicas e acabam correspondendo ao espírito de outra anedota bem conhecida: a do proprietário de um cão de raça, com muita linhagem e premiação, que pedia um milhão de reais para vender seu belíssimo animal, mas que acabou por aceitar a sua troca por dois gatos de 500 mil reais cada um, já que esses também dispunham de invejável linhagem, morfologia exemplar e extensas listas de prêmios.


Brinquei com esses exemplos justamente para realçar um pensamento objetivo e de grande utilidade na nossa conjuntura atual. Existem certas modalidades de investimento que minimizam os riscos, justamente por corresponderem a bens concretos, com valor próprio ou intrínseco. É o caso da compra de imóveis para morar ou para alugar, mercado que conheço de perto, e que tem um potencial de atração muito maior do que as quantidades que se movimentam atualmente. Seja em compras diretas, presentes ou futuras, seja pela aplicação em fundos imobiliários ou clubes de investimentos habitacionais. Aplicações dessa natureza têm a vantagem adicional de resultarem, naturalmente, protegidas da inflação (que é um imposto criado pelo governo, que diminui continuamente o valor da moeda pelo aumento descontrolado de sua emissão, punindo aqueles que poupam em benefício dos que se endividam ou daqueles que vivem dos tributos arrecadados).

  • COMPARTILHE:

Deixe uma resposta O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Renda Per Capita Líquida

Publicado em 08 março 2017

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – acaba de divulgar os resultados principais das contas nacionais do exercício de 2016, quais sejam, o PIB – Produto Nacional Bruto e seus derivados diretos. O PIB, na realidade, corresponde à soma de todas as riquezas produzidas dentro do território nacional (desconsiderados os recebimentos recebidos do e as remessas enviadas para o exterior). Essa variável inclui...
Leia mais »

2017 vem aí!

Publicado em 29 dezembro 2016

3 comentários

É fácil aferir o sentimento dos brasileiros acerca do ano que está terminando. À medida que se aproxima o dia da virada de exercício, as manifestações, íntimas ou públicas, da grande maioria dos nossos patrícios só variam na forma ou no adjetivo de qualificação, mas, em geral, quase todas convergem para uma constatação fortemente depreciativa: vai-se embora um ano que não deixa saudades! De fato, foi um ano em que vivemos turbulências políticas e desastres econômicos sucessivos, que acabaram...
Leia mais »

Excesso de Justiça Não é Coisa Boa

Publicado em 31 agosto 2016

1 comentários

Existe uma enorme diferença entre uma sociedade estruturada com base em relações justas entre os cidadãos, com a observância geral dos direitos e sem a prepotência imposta pelos mais fortes, e outra em que os mecanismos de Estado utilizados para garantir essas mesmas relações justas e isonômicas são excessivamente exigidos, apresentam-se permanentemente congestionados e funcionam com intensidade além das expectativas razoáveis. Na primeira hipótese, temos uma situação equilibrada e saudável,...
Leia mais »

Juros Altos: Como Enfrentar Esse Inimigo

Publicado em 25 maio 2016

Antes de 1994, quando a URV (Unidade Real de Valor) foi substituída definitivamente pelo Real (a nova moeda que circula até hoje), a inflação era, de longe, o maior inimigo dos brasileiros e de nossa economia. De fato, àquela altura (junho de 1994), a inflação mensal era de 47,43% e a inflação anual alcançava o inacreditável patamar de 4.922%. Ou seja, o preço de todos os bens ou serviços subia quase 50% em um único mês, entre dois recebimentos consecutivos do mesmo salário!  Essa balbúrdia...
Leia mais »

Mazelas da Indústria

Publicado em 13 abril 2016

2 comentários

Os diversos fatores (internos e externos) que concorreram para debilitar a economia brasileira no momento atual combinam-se de maneira diferenciada em sua ação deletéria pelos diversos setores e segmentos. Por isso, algumas atividades acusaram mais rapidamente os seus efeitos. Também por isso, outros segmentos foram afetados mais fortemente. No presente tópico, quero destacar especificamente o comportamento do setor industrial nessa época de crise e alinhavar algumas das características...
Leia mais »