Investimentos (1)

Publicado em 17 dezembro 2012

Investimento é toda aplicação de capital feita com o propósito de gerar renda ou ganhos assemelhados. No nível pessoal ou familiar, esta aplicação pode estar representada, por exemplo, pela decisão de compra de um imóvel destinado a gerar ou a eliminar aluguéis. Para uma empresa industrial, um investimento pode estar materializado, também como exemplo, na construção de uma nova fábrica para o aumento final da produção ou para o lançamento de um novo produto. Em escala nacional, a situação é exatamente a mesma. São os investimentos básicos em infraestrutura, em novas fábricas, em imóveis e nas demais facilidades de produção e circulação de bens e serviços, agregados no conjunto do território, os fatores responsáveis pela geração de renda e de ganhos de capital, ou seja, pelo crescimento econômico, normalmente retratado pelo aumento do PIB – Produto Interno Bruto. Evidentemente, esses investimentos comportam, também, desde a escala pessoal até a nacional, uma contabilização expandida para a inclusão daquelas aplicações feitas nos chamados "fatores intangíveis", necessários ao aumento da escolaridade, da capacitação individual, do nível de cultura e da produtividade no trabalho, bem como à garantia do bem estar geral e à melhoria dos padrões de saúde e segurança.


Existe uma relação direta entre a quantidade de investimentos feitos em um país ou região e o crescimento subsequente da respectiva economia. Geralmente esse esforço de investimento, ou seja, a quantidade de recursos aplicados no propósito de gerar renda ou ganhos de capital costuma ser expresso como uma porcentagem do PIB, sob a denominação de "taxa de investimento". Quanto maior for essa taxa e quanto mais persistente o esforço, maior será o crescimento futuro e sustentável da renda e dos demais benefícios, incluindo salários, nível geral de emprego e alguns dos fatores intangíveis. No caso brasileiro, essa taxa de investimento tem sido muito baixa e mal consegue se manter próxima a 20% do PIB anual, limite que já havia sido superado nos períodos de 1972 a 1982 e de 1986 a 1989 e no ano de 1994. A título de comparação, é interessante observar que a taxa média de investimento sustentada na última década pelo conjunto dos BRICS supera 30% do PIB, com destaque para a China, com mais de 40%, e a Índia, com mais de 30%. No caso mais próximo da América Latina, alguns dos nossos vizinhos (Chile, Peru e Colômbia) têm conseguido alcançar taxas superiores a 25% nos anos mais recentes e mesmo a combalida economia argentina tem tido um desempenho superior ao nosso nesse particular.


Em geral, a capacidade interna de investimentos de um país ou região depende da respectiva taxa de formação bruta de capital ou, de forma indireta, da correspondente taxa de poupança interna. Essa relação vale tanto para os investimentos públicos como para os investimentos internos privados, sendo esses últimos, decorrentes da aplicação de capitais originários da própria região ou país. Essa é, atualmente, a deficiência primária que vem limitando os investimentos nacionais. A nossa taxa interna de poupança tem se mantido em níveis igualmente baixos e decrescentes nos anos mais recentes. O recurso globalmente utilizado para essas situações é a busca de poupança externa. Uma parcela desses recursos é oficialmente contabilizada com a denominação de IED – Investimento Estrangeiro Direto. A importância atual desses capitais é tão grande, não só para possibilitar a busca de níveis mais elevados de crescimento e de prosperidade no país, como também, para o próprio equilíbrio da nossa balança de pagamentos e das nossas contas externas, que pretendo desenvolver o assunto em outros tópicos subsequentes deste blog.

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