Por Trás da Carga Tributária

Publicado em 22 janeiro 2014

15 comentários

Tenho tratado com alguma frequência, neste blog, a questão da nossa elevadíssima carga tributária – que já se aproxima de 40% do PIB, alcançando impiedosamente o bolso de todos os brasileiros ao confiscar-lhes parte substancial dos salários, das rendas e dos lucros, independentemente de seu nível econômico. Alguns economistas, que estudam a impressionante escalada dos impostos, taxas, tarifas públicas e outras formas de arrecadação afirmam que o montante das receitas governamentais já excederia o percentual de 40% do PIB (soma de todas as riquezas produzidas anualmente no país) se aos tributos convencionais fosse acrescido, também, o aumento do endividamento público. De uma forma ou de outra, essa voracidade fiscal é um exagero e precisa ser urgentemente inibida.


Desta vez, no entanto, não pretendo examinar os motivos pelos quais a carga tributária nacional vem subindo constantemente, pressionada pela necessidade crescente de custeio de uma máquina pública (federal, estadual e municipal) cada vez maior e mais cara. Também, não quero voltar a examinar a forma como essa montanha de recursos arrecadados é gasta perdulariamente, sem atender as necessidades básicas da população e, principalmente, preterindo os investimentos em favor do simples custeio de despesas salariais, de benefícios e de materiais ou serviços de consumo direto. Pretendo, no presente tópico, focar apenas alguns efeitos negativos que essa absurda carga tributária vem trazendo para a economia nacional e para os próprios brasileiros de todos os estratos sociais (mesmo para aqueles que, ingenuamente, acham que não pagam impostos).


O primeiro efeito a destacar é o impacto crescente dos tributos nos preços dos itens de consumo (alimentos, tarifas escolares, vestuário, eletrodomésticos, combustíveis, transporte, etc.). Os brasileiros são obrigados a pagar cada vez mais caro por todos os itens de consumo e, em geral, acabam reduzindo as suas compras ao mínimo essencial. Na maioria dos casos não nos sobra sequer a possibilidade de recorrer aos produtos importados, seja porque certos tipos de demanda (principalmente a de serviços) só podem ser atendidos por fornecedores locais, seja porque o governo tenta diminuir a diferença nos preços taxando fortemente as próprias importações.  Ou seja, pagamos para produzir aqui ou pagamos para importar de fora. De uma forma ou de outra pagaremos sempre mais caro, com a única e inconveniente escapatória da "operação formiguinha" em que os turistas brasileiros tem transformado as suas compras pessoais no exterior. Mesmo essa prática indesejável já vem sendo objeto de taxações especiais, na forma da aplicação de outros impostos (IOF sobre compras em cartões ou conversões cambiais em espécie). De uma penada só, aumentamos em 6,8% os preços dos produtos comprados no exterior.


Como conseqüência direta do efeito descrito no parágrafo precedente, ocorre a perda geral de competitividade da indústria nacional. Com os seus custos de produção mais elevados pela incidência tributária, as nossas fábricas e fornecedores perdem escala no mercado interno, no chamado processo de desindustrialização. Perdemos, também, competitividade nas exportações, já que não há como obrigar o mercado globalizado a comprar os nossos produtos, que só podem ser oferecidos a preços muito superiores aos similares que são vendidos por nossos concorrentes externos. Mais uma vez, a exceção corre por conta de uns poucos produtos exclusivos ou insubstituíveis (como algumas commodities vendidas a preços mais elevados no exterior, por exemplo). Como resultado, estamos involuindo da posição de economia mais industrializada e competitiva, que já fomos, para a de economia exportadora de produtos primários (soja e minérios – com pouco ou nenhum valor agregado).


Para concluir, não custa observar o princípio segundo o qual nenhuma pessoa ou instituição se autolimita ou reduz espontaneamente seus próprios poderes ou suas receitas. Cada aumento de carga tributária fica definitivamente incorporado e não retrocede mais, porque sempre haverá justificativas para gastá-lo, seja o gasto necessário ou não.

  • COMPARTILHE:

15 comentários para "Por Trás da Carga Tributária"

Francisco Rosa
Francisco Rosa disse: 22 janeiro 2014
É com tristeza que vejo nossa situação. Não consigo ver mudança nesse quadro nos próximos 12 anos, pois após a reeleiçao da Dilma com certeza Lula irá se eleger novamente e com essa oposição passiva que temos nenhum candidato terá condições de disputar esse cargo com mínimo de chance de vencer. Sei que 01 pessoa só não muda esse quadro, mas só o fato de não termos mais esse partido no poder federal já será uma mudança de postura e ideais. Espero estar errado, mas a impressão que tenho hoje dos políticos é que eles estão lá apenas com um único objetivo de arrumar formas de desviar dinheiro público para seus bolsos e dos seus comuns. Deem-me uma luz.
Priscila
Priscila disse: 22 janeiro 2014
É complicado viver em um país em que se paga caro em tudo o que for fazer e ganha pouco em qualquer profissão, a não ser na politica, não temos nunca um dinheiro sobrando pois metade dele vai embora em taxas e juros absurdos e desnecessários.
Priscila - Imóveis Guarulhos
Priscila - Imóveis Guarulhos disse: 22 janeiro 2014
É complicado viver em um país em que se paga caro em tudo o que for fazer e ganha pouco em qualquer profissão, a não ser na politica, não temos nunca um dinheiro sobrando pois metade dele vai embora em taxas e juros absurdos e desnecessários.
Priscila - Imóveis João Pessoa
Priscila - Imóveis João Pessoa disse: 22 janeiro 2014
É complicado viver em um país em que se paga caro em tudo o que for fazer e ganha pouco em qualquer profissão, a não ser na politica, não temos nunca um dinheiro sobrando pois metade dele vai embora em taxas e juros absurdos e desnecessários.
Priscila - Imóveis Maceió
Priscila - Imóveis Maceió disse: 22 janeiro 2014
É complicado viver em um país em que se paga caro em tudo o que for fazer e ganha pouco em qualquer profissão, a não ser na politica, não temos nunca um dinheiro sobrando pois metade dele vai embora em taxas e juros absurdos e desnecessários.
Priscila - Imóveis Pontal do Paraná
É complicado viver em um país em que se paga caro em tudo o que for fazer e ganha pouco em qualquer profissão, a não ser na politica, não temos nunca um dinheiro sobrando pois metade dele vai embora em taxas e juros absurdos e desnecessários.
Priscila - Imóveis Vitória
Priscila - Imóveis Vitória disse: 22 janeiro 2014
É complicado viver em um país em que se paga caro em tudo o que for fazer e ganha pouco em qualquer profissão, a não ser na politica, não temos nunca um dinheiro sobrando pois metade dele vai embora em taxas e juros absurdos e desnecessários.
Marcos
Marcos disse: 26 janeiro 2014
É muito bom que pessoas de projeção falem claramente de problemas básicos do Brasil que o governo reluta em resolver. Parabéns
Luiza Leal
Luiza Leal disse: 27 janeiro 2014
Parabéns ao Rubens Menin pelo excelente artigo. Convido todos a conhecerem o Movimento Brasil Eficiente, apoiado pelo Sr. Rubens, e a assinarem por um país com menos impostos e mais eficiência. assinabrasil.org
Wisdenil Franco
Wisdenil Franco disse: 05 fevereiro 2014
Explanação, clara, rápida e concisa sobre o que realmente acontece nos bastidores da esfera política deste País. Bom, acredito, mudanças de mãos nos rumos dos governos, em todas as esferas, poderá ser o início de retomada do rumo quase perdido.
Vem aí, novas eleições. É o momento de começar a pensar em "mudança", claro, se o voto for pensado com a própria cabeça, e não com a cabe
Wisdenil Franco Oliveira
Wisdenil Franco Oliveira disse: 05 fevereiro 2014
Explanação, clara, rápida e concisa sobre o que realmente acontece nos bastidores da esfera política deste País. Bom, acredito, mudanças de mãos nos rumos dos governos, em todas as esferas, poderá ser o início de retomada do rumo quase perdido.
Vem aí, novas eleições. É o momento de começar a pensar em "mudança", claro, se o voto for pensado com a própria cabeça, e não com a cabe
Wisdenil Franco
Wisdenil Franco disse: 06 fevereiro 2014
Prezados,
Bom dia,
Por gentileza, ontem, deixei minha resposta sobre este assunto abordado de forma clara e transparente: "Por trás da carga tributária". Hoje, ela não está mais postada, aqui.
O que houve? Não fui feliz nos meus comentários?
Ofendi a alguém, embora não tenha sido este o meu propósito?
O caminho de retomada do rumo quase perdido, através do voto esclarecido, não é correto?
Poderiam fazer a gentileza de me encaminhar e-mail com comentário sobre o ocorrido, para, de alguma forma, poder corrigir possível erro, involuntário?
Agradecido, antecipadamente,
Atenciosamente,
Wisdenil Franco
Wisdenil Franco Oliveira
Wisdenil Franco Oliveira disse: 06 fevereiro 2014
Prezados,
Bom dia,
Por gentileza, ontem, deixei minha resposta sobre este assunto abordado de forma clara e transparente: "Por trás da carga tributária". Hoje, ela não está mais postada, aqui.
O que houve? Não fui feliz nos meus comentários?
Ofendi a alguém, embora não tenha sido este o meu propósito?
O caminho de retomada do rumo quase perdido, através do voto esclarecido, não é correto?
Poderiam fazer a gentileza de me encaminhar e-mail com comentário sobre o ocorrido, para, de alguma forma, poder corrigir possível erro, involuntário?
Agradecido, antecipadamente,
Atenciosamente,
Wisdenil Franco
vera esteves
vera esteves disse: 07 fevereiro 2014
resumindo em palavras simples como a maioria do povo brasileiro : o governo gasta e a gente paga a conta. neste gastos estam os devios de verbas publicas em beneficio de seus interresses particulares e tbm da minoria rica deste país que dita às regras onde será feito os investimentos para beneficio individual dos seus negocios. o turismo no brasil seria uma otima opçao de investimento nçao com estadios super faturados mais com infraestrutura nas grandes capitais e tbm no interior. o setor hoteleiro vem perdendo força quando em ano de copa deveria ser ao contrario.

Deixe uma resposta O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Renda Per Capita Líquida

Publicado em 08 março 2017

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – acaba de divulgar os resultados principais das contas nacionais do exercício de 2016, quais sejam, o PIB – Produto Nacional Bruto e seus derivados diretos. O PIB, na realidade, corresponde à soma de todas as riquezas produzidas dentro do território nacional (desconsiderados os recebimentos recebidos do e as remessas enviadas para o exterior). Essa variável inclui...
Leia mais »

2017 vem aí!

Publicado em 29 dezembro 2016

3 comentários

É fácil aferir o sentimento dos brasileiros acerca do ano que está terminando. À medida que se aproxima o dia da virada de exercício, as manifestações, íntimas ou públicas, da grande maioria dos nossos patrícios só variam na forma ou no adjetivo de qualificação, mas, em geral, quase todas convergem para uma constatação fortemente depreciativa: vai-se embora um ano que não deixa saudades! De fato, foi um ano em que vivemos turbulências políticas e desastres econômicos sucessivos, que acabaram...
Leia mais »

Excesso de Justiça Não é Coisa Boa

Publicado em 31 agosto 2016

1 comentários

Existe uma enorme diferença entre uma sociedade estruturada com base em relações justas entre os cidadãos, com a observância geral dos direitos e sem a prepotência imposta pelos mais fortes, e outra em que os mecanismos de Estado utilizados para garantir essas mesmas relações justas e isonômicas são excessivamente exigidos, apresentam-se permanentemente congestionados e funcionam com intensidade além das expectativas razoáveis. Na primeira hipótese, temos uma situação equilibrada e saudável,...
Leia mais »

Juros Altos: Como Enfrentar Esse Inimigo

Publicado em 25 maio 2016

Antes de 1994, quando a URV (Unidade Real de Valor) foi substituída definitivamente pelo Real (a nova moeda que circula até hoje), a inflação era, de longe, o maior inimigo dos brasileiros e de nossa economia. De fato, àquela altura (junho de 1994), a inflação mensal era de 47,43% e a inflação anual alcançava o inacreditável patamar de 4.922%. Ou seja, o preço de todos os bens ou serviços subia quase 50% em um único mês, entre dois recebimentos consecutivos do mesmo salário!  Essa balbúrdia...
Leia mais »

Mazelas da Indústria

Publicado em 13 abril 2016

2 comentários

Os diversos fatores (internos e externos) que concorreram para debilitar a economia brasileira no momento atual combinam-se de maneira diferenciada em sua ação deletéria pelos diversos setores e segmentos. Por isso, algumas atividades acusaram mais rapidamente os seus efeitos. Também por isso, outros segmentos foram afetados mais fortemente. No presente tópico, quero destacar especificamente o comportamento do setor industrial nessa época de crise e alinhavar algumas das características...
Leia mais »