A Gestão Eficiente do Estado

Publicado em 02 dezembro 2015

9 comentários

Muitos aspectos da presente crise se misturam como parte do imbricado conjunto que a gerou, tanto os de caráter estritamente econômico, como os de natureza política. Uns acabam potencializando os outros. Todavia, apesar disso, acho que é possível identificar o déficit público como o mais importante e danoso causador da crise atual. Sem maiores rodeios, isso que dizer, exatamente, que, há bastante tempo, o Estado nacional (em seus diversos níveis, poderes e instâncias) vem gastando mais do que arrecada, comprometendo o patrimônio e o futuro dos brasileiros. No entanto, nos últimos tempos, o esbanjamento cresceu descontroladamente. E, apesar de tudo, mesmo com a atual escassez de recursos, a gastança prossegue em níveis elevadíssimos.


Não há dinheiro que agüente sustentar esse nível de gastos. A cada ano, mais impostos e taxas são cobrados dos brasileiros para sustentar as despesas públicas (tanto os mais visíveis por serem declarados ou cobrados explicitamente, como aqueles que se escondem embutidos nos preços dos produtos e serviços). No período de 1995 a 2010, por exemplo, a carga tributária brasileira deu um salto de 27 para 34% do PIB, ou seja, para um terço de todas as riquezas produzidas no país (salários, rendas e lucros). Mas, a voracidade fiscal não se contentou com isso e, atualmente, esse percentual já alcançou 37% do PIB, número muito superior ao dos demais países em estágio semelhante de desenvolvimento econômico (a média latino-americana, por exemplo, situa-se em torno dos 20% do PIB e é pouco inferior à dos EUA).


Infelizmente – e poucos se dão conta disso –, o dinheiro que vem sendo transferido pelos brasileiros ao Estado, por maior que seja ele, ainda é insuficiente para custear todas as despesas públicas. A diferença é coberta com o endividamento progressivo do governo, que, além de agravar o desequilíbrio, acaba aumentando os custos futuros pelo pagamento de um montante maior de juros da dívida pública. Esse mesmo desequilíbrio entre receitas e despesas acaba produzindo, também, um efeito ainda mais perverso: o confisco silencioso do patrimônio e dos haveres dos contribuintes e de suas famílias. Isso fica bem visível para o cidadão comum quando ele percebe que um automóvel ou uma casa, mesmo mantendo o seu preço na moeda nacional, perde significativamente o seu valor quando este é expresso em uma base monetária mais estável (como o dólar norte-americano, por exemplo). Ou seja, além de custear o Estado com seus tributos e taxas, os brasileiros estão completando o sacrifício com a perda de patrimônio e com a acumulação de uma dívida futura cada vez maior e mais cara. Nesse esforço, e para correr atrás do prejuízo forçado, todos estão ficando mais pobres.


Mas, se o nosso governo custa tudo isso, porque a população se queixa tanto da precariedade e da insuficiência dos serviços e benefícios prestados pelo próprio Estado, notadamente no que se refere às áreas da educação, saúde, segurança pública, moradia e infraestrutura de transportes? A resposta é simples: porque a gestão pública está muito ineficiente e porque o dinheiro está sendo gasto com prioridades que não são as de preferência dos brasileiros. O problema começa com o inchaço da máquina pública, agravado por nomeações políticas e pela admissão descontrolada de perfis profissionais que contribuem muito pouco para os resultados almejados pela população. Nada de meritocracia nessas contratações e menos ainda de estabelecimento de metas e métodos eficazes de administração, como os que costumam ser observados na iniciativa privada. Aliás, nunca é demais observar que as instituições privadas não podem se dar ao luxo de pedir sempre e cada vez mais valor aos seus clientes pelo mesmo produto. Elas têm que buscar permanentemente a eficiência para não soçobrarem ou para não serem excluídas do mercado. Essa é a grande diferença. Mas, deveria, também, ser um balizador para uma grande reforma ou reestruturação no Estado brasileiro, de modo a aumentar-lhe a eficiência de gestão e reduzir-lhe os custos exorbitantes. Aumentar a mordida é fácil enquanto ainda existe um resto de renda e de patrimônio para abocanhar, mas o certo seria cortar os desperdícios, focar nos resultados e buscar a eficiência no trabalho institucional.

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9 comentários para "A Gestão Eficiente do Estado"

Lucas Ferreira da Silva
Lucas Ferreira da Silva disse: 02 dezembro 2015
Infelizmente o certo a se fazer não faz parte dos planos do estado, a menos que isso beneficie suas vontades. Nós brasileiros continuamos sonhando com o dia em que o pais sera mais importante que um grupo de vermes que só sabem nos sugar. Excelente matéria.
Pedro Casals
Pedro Casals disse: 03 dezembro 2015
Felicito o Autor, pois, de forma clara expôs uma das vertentes do problema que são as finanças Estatais e a acentuada carga tributária, que é confiscatória ao patrimônio da população e não atende as funções sociais e objetivos abarcados pela Carta Maior Brasileira.
Gabriel Tavares
Gabriel Tavares disse: 07 dezembro 2015
Infelizmente nossa política está mais para o individualismo próprio e partidário do que para a sociedade.
Paulo Guerra
Paulo Guerra disse: 11 dezembro 2015
Sr. Rubens, sempre acompanho seus comentários, tenho muito respeito e admiração pelo seu trabalho, trajetória empresarial e conduta familiar. Diferentemente de muitos bilionários deste país, o Sr. construiu seu patrimônio com muito trabalho e inteligência, ensinando seus filhos a edificação da vida no trabalho e na família.
Infelizmente, atualmente as pessoas que ingressão na política brasileira estão com interesses escusos e eivados de maldade.
Está na hora de lideranças empresariais como o Sr., abraçarem a causa política e deixarem um legado para o povo brasileiro. Pense nisso! Faça uma reflexão! Precisamos reescrever a história deste país.
João Campos
João Campos disse: 15 dezembro 2015
Concordo plenamente com a necessidade de uma reforma de restruturação das politicas públicas. Todavia acredito que antes é necessário alterar a mentalidade de nossa população. Principalmente dos Jovens. O emprego público não pode ser a opção mais desejada, de um jovem recém formado, como eu.

Vou terminar meu comentário de uma forma positiva. Quero dar os parabéns para MRV. Pela criação do Instituto MRV. São estes tipos de ações que apoiam as crianças, e a educação, que podem gerar uma sociedade mais empreendedora, e quebrar esse ciclo de degradação econômica.
Felicitações, e por um 2016 melhor!
João Carlos Campos
João Carlos Campos disse: 15 dezembro 2015
Concordo plenamente com a necessidade de uma reforma de restruturação das politicas públicas. Todavia acredito que antes é necessário alterar a mentalidade de nossa população. Principalmente dos Jovens. O emprego público não pode ser a opção mais desejada, de um jovem recém formado, como eu.

Vou terminar meu comentário de uma forma positiva. Quero dar os parabéns para MRV. Pela criação do Instituto MRV. São estes tipos de ações que apoiam as crianças, e a educação, que podem gerar uma sociedade mais empreendedora, e quebrar esse ciclo de degradação econômica.
Felicitações, e por um 2016 melhor!
PAULO RIBEIRO
PAULO RIBEIRO disse: 23 dezembro 2015
concordo com sua opinião, e acrescento que nosso maior problema são os chamados partidos politicos e seus apadrinhados, que ganham dos nossos governos funções muitas vezes inexistentes, com salários além da realidade,a maioria sequer exerce alguma atividade nestes cargos. Veja o caso de 32,000 cargos comissionados da Sra Dilma. Puro desperdicio de dinheiro. E mesmo nosso congresso, que me parece perdeu sua funcionalidade, pois atualmente servem apenas para usurpar a função da policia em CPI (100 sabor pizza barata), em função de uma prerrogativa esdruxula da chamada IMUNIDADE PARLAMENTAR que deveria trocar de nome para IMUNDICE PARLAMENTAR, pois serve apenas para cobrir roudos e desvios de conduta, que não tem nada a ver com o exercicio do cargo. Infelizmente De Gaulle tinha razão. Para nos salvar talvez consigamos ressuscitar Castelo Branco. Muita saudade.
Pedro Casals
Pedro Casals disse: 27 janeiro 2016
Por isso que eu acompanho você Paulo. Você é um dos poucos que expõe a verdade dos fatos sem medo de retaliações.
PAULO ROBERTO NOGUEIRA RIBEIRO
PAULO ROBERTO NOGUEIRA RIBEIRO disse: 23 dezembro 2015
concordo com sua opinião, e acrescento que nosso maior problema são os chamados partidos politicos e seus apadrinhados, que ganham dos nossos governos funções muitas vezes inexistentes, com salários além da realidade,a maioria sequer exerce alguma atividade nestes cargos. Veja o caso de 32,000 cargos comissionados da Sra Dilma. Puro desperdicio de dinheiro. E mesmo nosso congresso, que me parece perdeu sua funcionalidade, pois atualmente servem apenas para usurpar a função da policia em CPI (100 sabor pizza barata), em função de uma prerrogativa esdruxula da chamada IMUNIDADE PARLAMENTAR que deveria trocar de nome para IMUNDICE PARLAMENTAR, pois serve apenas para cobrir roudos e desvios de conduta, que não tem nada a ver com o exercicio do cargo. Infelizmente De Gaulle tinha razão. Para nos salvar talvez consigamos ressuscitar Castelo Branco. Muita saudade.

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