Bolha ou Anti Bolha?

Publicado em 12 dezembro 2012

6 comentários

Já tive oportunidade de desenvolver, neste blog, uma série de tópicos abordando especificamente a questão da Bolha Imobiliária e apontando a inexistência dos ingredientes essenciais para que se reproduza, no Brasil, o mesmo fenômeno que assolou a economia norte-americana e fez eclodir a grande crise financeira internacional iniciada em 2008. No entanto, esse é um assunto que não sai da mídia e ainda assusta alguns compradores da casa própria ou investidores em imóveis para aluguel, bombardeados, frequentemente, por argumentos pessimistas e mal fundamentados. Por isso, decidi voltar a esse tema, acrescentando alguns dados mais recentes, que demonstram a existência, entre nós, de um fenômeno com características opostas e que pode ser mais precisamente identificado pela denominação de "Anti Bolha Imobiliária".

De fato, o requisito fundamental para que as bolhas imobiliárias eclodam é o crescimento exagerado e descontrolado do estoque de imóveis disponíveis para a venda. Esse não é, definitivamente, o nosso caso, principalmente no segmento de moradias econômicas e populares. Ao contrário, pelas razões que também já abordei neste blog, as construtoras brasileiras não estão conseguindo produzir a quantidade de imóveis requerida pela demanda por esse tipo de moradia. Não existe estoque de imóveis econômicos disponíveis para pronta entrega em nenhuma região do país e os potenciais compradores estão tendo que se conformar com a espera de novos lançamentos e com a opção de aquisição na planta, ou seja, antes da construção. Esse desequilíbrio entre oferta e procura já produziu um efeito significativo: há cerca de cinco anos, a diferença de preço entre um imóvel na planta e outro equivalente, disponível para ocupação imediata, situava-se em torno de 10% do valor final de venda; hoje, essa mesma diferença, nas principais regiões do país, já atinge 50%.

Para corroborar, de forma mais concreta e objetiva, a magnitude desse fenômeno, basta que se verifique o aumento exagerado nos preços de aluguel dos imóveis econômicos nos últimos anos. Com efeito, o aluguel de um imóvel popular, com área de 45m2, situado nas cidades de porte médio, variava entre R$ 300,00 e R$ 400,00 por mês, há três anos. Atualmente, esse mesmo aluguel já alcançou a faixa de R$ 600,00 a R$ 800,00, ou seja, um aumento médio da ordem de 100% em apenas três anos. Esse é o lado mais visível da defasagem entre a demanda imobiliária e a oferta atual de novas unidades disponibilizadas pelas construtoras, configurando aquilo que poderia ser mais propriamente denominado de "Anti Bolha Imobiliária".
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6 comentários para "Bolha ou Anti Bolha?"

Daniano penafaorte
Daniano penafaorte disse: 12 dezembro 2012
Outro fator que impede essa Bolha é o fato de nossos Bancos serem criteriosos na liberação de crédito, além de possuirem vários sistemas que cruzam informações para saber se há algum endividamento do cliente que comprometa o pagamento das parcelas de financiamento.
Daniano Penaforte
Daniano Penaforte disse: 12 dezembro 2012
Outro fator que impede essa Bolha é o fato de nossos Bancos serem criteriosos na liberação de crédito, além de possuirem vários sistemas que cruzam informações para saber se há algum endividamento do cliente que comprometa o pagamento das parcelas de financiamento.
Daniano Silva
Daniano Silva disse: 12 dezembro 2012
Outro fator que impede essa Bolha é o fato de nossos Bancos serem criteriosos na liberação de crédito, além de possuirem vários sistemas que cruzam informações para saber se há algum endividamento do cliente que comprometa o pagamento das parcelas de financiamento.
Francisco
Francisco disse: 16 dezembro 2012
A maior prova da existência da bolha são as constantes matérias publicadas na mídia negando-a...
Hudson
Hudson disse: 16 dezembro 2012
A maior prova da existência da bolha são as constantes matérias publicadas na mídia negando-a...
Rodrigo
Rodrigo disse: 16 dezembro 2012
A maior prova da existência da bolha são as constantes matérias publicadas na mídia negando-a...

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