Brasil, o triturador de empresas

Publicado em 10 fevereiro 2016

11 comentários

No último mês de dezembro foram criados 200 mil postos de trabalho nos EUA. No mesmo período foram extintas 150 mil vagas de emprego no Brasil. Por que isso aconteceu? – As causas são muitas e variadas, mas, a grande maioria delas resulta de opções equivocadas ou ineficientes que foram tomadas por aqui, tanto na área política como na econômica. Quem perdeu com isso? – Enganam-se aqueles que acreditam que perderam apenas as empresas e seus donos ou acionistas. Perderam os brasileiros. Perderam salários, perderam renda, perderam a possibilidade de se sustentarem e às suas famílias com um emprego garantido, perderam dignidade, e perderam, principalmente, a chance de prosperarem na busca de um futuro melhor.


Se as conseqüências desse quadro estão sendo tão nefastas, por que se percebe, aqui, ali, acolá e em todas as partes, um certo e difuso sentimento de júbilo com a desgraça das empresas, algumas delas responsáveis, até pouco tempo atrás, pela criação e sustentação de milhares de empregos? Quem pode estar feliz com o derretimento da Petrobras, do seu programa de investimentos e de seus empregos? Por que grande número de brasileiros não se dá conta de que ficamos todos mais pobres – e muito mais pobres, mesmo – com a diminuição do valor patrimonial da Petrobras, sejamos ou não acionistas diretos da Companhia? Já ouvi expressão explícita de júbilo diante da notícia de uma queda acentuada do IBOVESPA, como se a torcida contra a Bolsa pudesse ser lógica em qualquer circunstância. O Brasil está assistindo à maior destruição de valor da sua história e muitos ainda comemoram ou se regozijam com as dificuldades enfrentadas pela SAMARCO (com um futuro duvidoso à frente); com o esfacelamento do BTG Pactual (que está dispensando um time qualificadíssimo de colaboradores, responsável pela atração de grandes investidores para o mercado nacional); com os embaraços das grandes empresas de Construção Pesada (muitas delas em recuperação judicial); com a destruição do parque siderúrgico nacional (e o fechamento ou diminuição operacional de usinas e fábricas). Não há o que comemorar nisso, qualquer que seja a visão ideológica dos brasileiros. São as empresas que criam riqueza, geram trabalho e alavancam o progresso da nação. Os norte-americanos costumam estar bem conscientes disso e valorizam como se fossem símbolos nacionais, as grandes empresas e iniciativas como o Google, a General Eletric, o Facebook, a General Motors, a Amazon, a Apple e todos os outros pólos do esforço empresarial que alavancam o progresso daquele país. Esse é um dos componentes da explicação para a diferença entre a situação econômica do Brasil e dos EUA.


Os brasileiros, como os latino-americanos em geral, foram as principais vítimas da Guerra Fria, quando as grandes potências, por questões estritas de geopolítica e de domínio das suas áreas de influência (mercados cativos), nos puseram a lutar numa briga que não era nossa. Essas potências já se entenderam ou descobriram certo modo de coexistência pacífica. E nós continuamos a lutar a mesma e velha luta, incluindo a disseminação de um forte sentimento antiempresarial responsável pelas atitudes mencionadas nos parágrafos precedentes. Não é raro ouvirmos de algum brasileiro ou latino-americano um comentário depreciativo ou preconceituoso do tipo: "a empresa privada só visa o lucro", como se o lucro fosse alguma coisa errada e a ser evitada em favor do seu contrário: o prejuízo. O pior de tudo isso, é que esse tipo de preconceito ou sentimento negativo acaba contaminando os agentes políticos e produzindo efeito na gestão da economia. As más opções e a escolha infeliz de estratégias nacionais estão fortemente condicionadas pela existência dessa visão pré-histórica e atrasada. Não podemos continuar condenados por ela. Temos que rever nossos conceitos ou continuaremos a ser um país triturador de empresas (e de empregos, renda e riqueza).

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11 comentários para "Brasil, o triturador de empresas"

PAULO RIBEIRO
PAULO RIBEIRO disse: 18 fevereiro 2016
Lamentável que até a mídia qualificada noticias a desaceleração da economia, e o fechamento de forma apenas midiática. Enquanto na Europa e Japão os bancos forçados pelos governos estão praticando juros negativos, pois interessa ao administradores públicos, que haja gasto, ao invés de aplicação do capital como fonte de recebimento, aqui em nosso País, previlegía-se a aplicação do capital para render juros altíssimos a fim de que o governo mantenha sua maquina ineficiente em funcionamento. Engana-se que pensa que os empresários que estejam desativando seus planos de investimento na imobilização de seu capital, pois estes valores, são desviados para aplicação financeira muito mais rentáveis, sem tantos problemas, e retorno garantido. Desde pequeno sempre ouvi a máxima DINHEIRO CHAMA DINHEIRO. e como a massa trabalhadora não tem dinheiro, paga a conta dos juros escorchantes pagos pelo nosso governo na obtenção de capital. Pobre povo, rico País, mas de lamentável povo.
PAULO ROBERTO NOGUEIRA RIBEIRO
PAULO ROBERTO NOGUEIRA RIBEIRO disse: 18 fevereiro 2016
Lamentável que até a mídia qualificada noticias a desaceleração da economia, e o fechamento de forma apenas midiática. Enquanto na Europa e Japão os bancos forçados pelos governos estão praticando juros negativos, pois interessa ao administradores públicos, que haja gasto, ao invés de aplicação do capital como fonte de recebimento, aqui em nosso País, previlegía-se a aplicação do capital para render juros altíssimos a fim de que o governo mantenha sua maquina ineficiente em funcionamento. Engana-se que pensa que os empresários que estejam desativando seus planos de investimento na imobilização de seu capital, pois estes valores, são desviados para aplicação financeira muito mais rentáveis, sem tantos problemas, e retorno garantido. Desde pequeno sempre ouvi a máxima DINHEIRO CHAMA DINHEIRO. e como a massa trabalhadora não tem dinheiro, paga a conta dos juros escorchantes pagos pelo nosso governo na obtenção de capital. Pobre povo, rico País, mas de lamentável povo.
Marcos C. Campos
Marcos C. Campos disse: 21 fevereiro 2016
Façam casas mais baratas. Quanto é o m2 construido nos EUA e quanto é o m2 construido aqui ? Qual é a taxa de lucro aqui e qual é a taxa de lucro lá por m2 ?
Marcelo
Marcelo disse: 24 fevereiro 2016
O que precisamos é ter ética,vemos empresas gigantes sendo envolvidas em escândalos, sempre vemos que uma as empresas crescem através de acordos inescrupulosos e a qualquer custo passando por cima de tudo e de todos.Ainda bem que as coisas erradas começaram a aparecer,espero que disso tudo vcs aprendam a ter ética w claro lucro também,desde que seja um lucro íntegro e honesto.
Paulo Vitor Castro Cardoso
Paulo Vitor Castro Cardoso disse: 08 março 2016
Prezado, tenho um projeto em mente que permitirá reduzir o tempo de entrega dos apartamentos. Gostaria de saber se o seu grupo tem interesse em patrocinar a minha ideia.
Agradeço desde já pelo espaço de comunicação,

Atenciosamente,
Paulo Vitor
Jack Montana
Jack Montana disse: 16 março 2016
Rubens devo concordar com a questão do povo não saber ou não ter consciência das regras que conduzem a economia.
Tudo isso poderia ser evitado a partir do momento em que grandes empresas não quisessem que o lucro fosse o principal motor pulsante da economia.
Talvez nesse quesito os chineses tem algo a nos ensinar. No modo chines se privilegia o relacionamento a longo prazo, e não estratégias de colonizadores europeus, onde se pulveriza o máximo de produtos e recolhe o máximo de lucro e depois vai para outra terra fértil com um povo tolo clamando migalhas que as corporações oferecem.

Concordo que é preciso lucro para girar uma economia, mas é preciso responsabilidade das corporações em criar negócios sustentáveis que propiciem lucro, mas também contribuam com o futuro, ao menos da região onde ela atua.

E o que vemos são gestores com fome de lucratividade a todo custo, usando como base o alto custo brasil e os "riscos" de passivos gerados pelas leis ineficientes do país.

O assunto é longo mas acho que dá pra entender o conceito básico. Mas parabéns pelo post sou fã dos seus textos.
PS Despachante Imobiliário
PS Despachante Imobiliário disse: 24 março 2016
A falta do senso comum, uma economia imperialista, lucro a qualquer preço, requer uma habilidade incondicional para empresas conseguirem manter negócios sustentáveis e saudáveis.
PS Despachante Imobiliário
PS Despachante Imobiliário disse: 24 março 2016
Quando no texto diz: Temos que rever nossos conceitos ou continuaremos a ser um país triturador de empresas (e de empregos, renda e riqueza). Não é um exagero, é isso que é feito, crescemos e desenvolvemos, para destruir o todo de forma tão ignorante, nesse tempo atual.
Rodrigo Cabral
Rodrigo Cabral disse: 26 março 2016
Além das informações e insights valiosos, fico muito admirado com o português bacana aplicado pelo Rubens.

Nesse mar de erros de português e linguagem pobre da internet atual, o post é um colírio.
Rubens Menin
Rubens Menin disse: 29 março 2016
Olá Rodrigo, agradeço seu comentário e participação no blog!
Priscila Oliveira
Priscila Oliveira disse: 02 abril 2016
olá, parabenizo pela reflexão lúcida e imparcial....

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