Condomínios Fechados

Publicado em 28 março 2013

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A questão da criminalidade e da insegurança urbana – consequência, entre outras coisas, do crescimento descontrolado das cidades e da intensa favelização que se verificou no Brasil – está produzindo uma alteração significativa no padrão imobiliário nacional, com a disseminação da solução habitacional identificada como "condomínio fechado". À exemplo do que já vinha acontecendo em outros países com estrutura socioeconômica semelhante à nossa, as famílias brasileiras passaram a manifestar nítida preferência pelas moradias concebidas na forma de condomínios fechados (casas e apartamentos), que, até algum tempo atrás, eram soluções adotadas, exclusivamente, para construções de luxo e para o estrato mais próspero da população. Hoje, esse tipo de solução se generalizou e passou a ser adotado, com frequência, até mesmo nos conjuntos de moradias econômicas construídos no âmbito dos programas oficiais de incentivo à aquisição da casa própria. O que, efetivamente, está por trás dessa tendência?


O exame da realidade observada em outros países permite avaliar melhor o fenômeno que está ocorrendo entre nós. Nas nações onde a segurança pública está melhor equacionada, os condomínios costumam ser organizados com outros propósitos e com a adoção de soluções urbanísticas diferentes das nossas. São, quase sempre, implantados nos subúrbios ou em áreas da periferia urbana, desprovidos de muros e outros obstáculos que dificultem a integração com o ambiente externo e costumam ter, por propósito, o agrupamento de moradores com perfis e interesses semelhantes ou o compartilhamento de facilidades (restaurantes, lavanderias, etc.) e equipamentos especiais (quadras esportivas, campos de golfe, instalações náuticas, praias, matas nativas, etc.).


No caso brasileiro e de alguns outros países onde a insegurança urbana assumiu dimensões que a situam como a maior preocupação das populações residentes nas cidades (incluindo as de médio e de pequeno porte, conforme a região), as demandas têm convergido para um padrão peculiar. Esse padrão de demanda, que já vem sendo atendido por um número crescente de construtoras, visa, prioritariamente, garantir a segurança dos moradores. Os conjuntos de prédios ou casas são construídos em áreas fechadas, de acesso restrito aos moradores e seus convidados, com certa autonomia interna e dotados de muro, cercas e outros equipamentos de vigilância física ou tecnológica.


O contato direto com os potenciais compradores de imóveis nas áreas de atuação da nossa construtora permitiu que fosse melhor compreendida essa demanda, ou seja, os motivos, as aspirações e as preferências que estão elegendo predominantemente as moradias organizadas em condomínios fechados. A parcela mais significativa desse mercado comprador é constituída por famílias que buscam adquirir a sua primeira casa própria, não como uma solução habitacional transitória, mas como um endereço de maior permanência ou duração. Trata-se, para quase todos, de uma opção que possa configurar-se como um ambiente seguro e protegido, onde os filhos possam ser criados sem os riscos de influências nefastas e de ameaças perigosas. Para esse tipo de comprador, os requisitos de segurança passam a ser tão importantes quanto os aspectos relacionados com a salubridade do ambiente, o conforto arquitetônico e a boa localização. A meu ver, esse é um padrão de exigência que veio para ficar (ou até mesmo se expandir), enquanto não puder ser revertido o panorama geral de insegurança das nossas cidades. É uma tendência de médio para longo prazo.

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1 comentários para "Condomínios Fechados"

Francisco Ricardo
Francisco Ricardo disse: 29 março 2013
Rubens Menin, bom dia!
Esse tipo de moradia seria mesmo uma preferência populacional ou uma adaptação ao padrão dos empreedimentos, que pouco se diferem de uma construção para outra, com o máximo de aproveitamento de espaço por parte da construtora e, em consequência uma maior lucratividade?

Parabéns pelo excelente bolg, vejo que o visitarei bastante, pois trata de temas que gosto muito!

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