Construção Industrializada

Publicado em 11 abril 2013

4 comentários

Já tive oportunidade de desenvolver, neste blog, uma série de dois tópicos relacionados com a mecanização na Construção Civil. Naquela ocasião, centrei a abordagem, principalmente, na origem e nos efeitos da tendência recente que tem levado as grandes construtoras brasileiras ao uso intensivo de equipamentos em seus canteiros. Decidi voltar a esse tema, para uma abordagem complementar em um contexto ampliado e atualizado: na realidade, o que se observa hoje não é apenas o uso mais intensivo de equipamentos nos canteiros, mas sim, a transformação de todo o processo de construção em uma linha de fabricação e montagem efetivamente "industrial".


Evidentemente, essa mudança conceitual nos métodos de construção exige a mecanização dos canteiros, com a utilização intensiva de máquinas e equipamentos. Mas, exige, também, outra filosofia de concepção, planejamento e projeto dos empreendimentos, especialmente no que diz respeito ao emprego de componentes pré-fabricados, de elementos modulados e de materiais com índices mais elevados de reaproveitamento, de reutilização ou de reciclagem. Exige, além disso, níveis superiores de capacitação e de treinamento da mão de obra, para o manuseio adequado de equipamentos e sistemas de custo elevado e para o aprendizado de processos distintos da forma artesanal aplicada anteriormente.


É auspicioso observar que conseguimos, em prazo relativamente curto, situar o país na terceira posição entre os maiores mercados mundiais da Construção Civil (EUA, China, Brasil e México, nesta ordem), quando examinado, apenas, o índice de industrialização (mecanização, automação, sistematização, etc.) das respectivas obras. Isso, apesar da circunstância adversa representada pelos custos elevadíssimos dos equipamentos de mecanização e automação vendidos no Brasil (duas a três vezes mais caros do que os comercializados nos EUA e na China, por exemplo). Não fosse a existência desse efeito direto do chamado "Custo Brasil", poderíamos ter evoluído ainda mais neste aspecto. De todo modo, já alcançamos um progresso notável nos métodos e processos nacionais de construção, que resultaram na melhoria geral da produtividade, da qualidade das edificações, da segurança no trabalho, na redução do prazo de entrega dos empreendimentos e nos custos finais de venda, além de todos os demais efeitos positivos que já tive oportunidade de destacar na mencionada série anterior deste blog.


No caso particular da MRV, que vem investindo nessa tendência moderna de produção há, pelo menos, sete anos, já temos indicadores objetivos para comparar as situações e o seu progresso ao longo do tempo. Um deles, que merece ser destacado para concluir o presente tópico de atualização, corresponde ao índice geral de produtividade efetiva. Esse índice apura o contingente médio de operários aplicado na produção de uma unidade habitacional por mês e evoluiu desde 12 homens por unidade/mês antes do esforço de industrialização do processo, até seis homens por unidade/mês, nas condições atuais (média da construtora nos canteiros de 18 Estados da Federação). Em síntese, a produtividade efetiva dobrou no período mencionado.


Pretendo voltar a este tema em tópicos futuros, para abordar outros índices e efeitos desse importantíssimo processo.

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4 comentários para "Construção Industrializada"

Francisco Ricardo
Francisco Ricardo disse: 11 abril 2013
Bom dia!

Apesar de não ter feito as leituras anteriores de postagens sobre o tema, achei interessante e útil as informações sobre a construção civil no Brasil. As formas modulares como são realizados os processos, principlamente na construção civil, tem afetado todos os outros segmentos no país e no mundo. Com certeza isso gerá maior qualificação da mão de obra e uma visão mais cirurgica dos processos de produção, além, é claro, de uma maior busca por inovações tecnológicas para máquinas cada vez mais atreladas ao custo/benefício de organizações e consumidores.
Manoel Santos
Manoel Santos disse: 11 abril 2013
Excelente, só com essa inovação e busca em aperfeiçoar a produtividade poderemos suprir a demanda da construção civil, com mais tecnologia teremos também atrativos para o setor, que muitos não atuam por não ter condições ou coragem de pegar no pesado.
antonio
antonio disse: 08 maio 2013
trabalho de empreiteiro civil
Ricardo Heurich
Ricardo Heurich disse: 12 maio 2013
Estamos adotando procedimentos e tecnologias industrializadas em nossas construções habitacionais, no entanto a dificuldade que encontramos e quando vamos fazer o acerto para CND do INSS. Como o volume de mao de obra decresce, as contribuições também. Alguma dica?

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