Déficit Habitacional

Publicado em 10 dezembro 2012

2 comentários

O déficit habitacional brasileiro foi estimado em 7,9 milhões de moradias, segundo o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Esse déficit, que representa o número de moradias que precisariam ser construídas para abrigar a parcela da população improvisadamente abrigada em favelas ou amontoada em habitações irregulares, já corresponde a 14,9% dos domicílios existentes no país. Esse passivo social vem sendo acumulado há muito tempo e não para de crescer, apesar dos esforços recentes do governo, consubstanciados, principalmente, no Programa "Minha Casa, Minha Vida".

Com efeito, a cada ano 1,5 milhão de novas famílias são formadas no país e o nosso volume total de construção de moradias não vem conseguindo superar a marca de 500 mil unidades nos anos mais favoráveis. Essa é uma situação que precisa ser revertida de maneira eficaz e em prazo não muito longo. Em outro tópico deste blog, comparei a situação brasileira com a do México, nesse particular. Com uma população bem menor do que a nossa e com níveis semelhantes de renda, os mexicanos já conseguem produzir cerca de 800 mil novas moradias por ano e estão prestes a erradicar definitivamente o seu próprio déficit habitacional. Esse é apenas um exemplo para reforçar a convicção de que o desafio nacional pode ser vencido caso venha a ser enfrentado com tenacidade, empenho e inteligência.

A primeira coisa a ser considerada para solução do desafio é identificar os gargalos existentes e os fatores positivos com que contamos. A elevação continuada da renda e o bom nível de emprego alcançado no país nos anos mais recentes acabaram por materializar uma demanda reprimida de porte significativo, ou seja, existe procura por novas moradias em quantidades maiores do que o número de imóveis disponíveis para venda.

Surpreendentemente, a questão do crédito imobiliário também está razoavelmente equacionada e os potenciais compradores não encontrariam dificuldades na obtenção de financiamento, com prazos longos e juros muito favoráveis. E o mais surpreendente de tudo: existe capacidade operacional e de produção nas construtoras brasileiras para que seja elevada, sem muito esforço e em tempo razoavelmente curto, a oferta total para cerca de 1,2 milhão de novas unidades por ano.

Então, por que não deslanchamos? Os empecilhos são numerosos e graves. Suficientemente graves para desestimular o aumento no nível de atividade das próprias construtoras. Mas, também eles podem ser enfrentados e solucionados, caso haja empenho governamental e político. Quase todos resultam de duas deficiências principais: o excesso de regulamentação e de burocracia, de um lado, e a elevação de custos dos insumos e da mão de obra em decorrência da elevadíssima carga tributária e da legislação desatualizada, de outro lado. Em relação a esse último aspecto, não posso deixar de aduzir um comentário acerca do conjunto de medidas de incentivo para a construção civil, anunciado na semana passada. Foram medidas importantes nesse momento emergencial de desaceleração rápida e persistente da nossa economia. Devem produzir bons resultados, principalmente na recuperação do PIB e na manutenção do nível de emprego. Mas, sozinhas, não contribuirão para o enfrentamento definitivo da questão do déficit habitacional e poderão, no máximo, representar um estímulo para que seja preservado o nível anterior de produção de 500 mil unidades por ano, que já apresentava preocupante tendência de queda.
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2 comentários para "Déficit Habitacional"

Andre Ardel
Andre Ardel disse: 11 dezembro 2012
Dr. Rubens, estive assistindo esta noite no SBT a entrega de prêmios dos Líderes do Brasil e não entendi o porque que a MRV não recebeu o prêmio sendo esta a maior no Brasil e uma das maiores na América. Acho que foi uma marmelada do SBT juntamente com a LIDE que fizeram esta premiação. Enfim nós que trabalhamos para esta grande empresa sabemos o tão grande ela é e não precisamos deste tipo de prêmios apenas mostramos em números para que todos vejam.
José Benedito da Silva
José Benedito da Silva disse: 11 dezembro 2012
Importante sua matéria, acredito tb que as medidas do Governo não trarão grandes efeitos, pelo menos de imediato. Um outro dado interessante é que, há famílias e empresas proprietários de um grande número de imóveis e que estão alugados,como vai ficar o mercado de locação à medida que esse déficit for baixando?, se isso acontecer e se os nossos Governantes atentarem com carinho para essa realidade.

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