Dividendo é Renda

Publicado em 07 novembro 2012

Em tópico anterior deste blog, mencionei as causas e razões que podem estar modificando o comportamento dos brasileiros no que diz respeito à falta do hábito de investir em ações ou papéis negociados nas volsas de valores. Naquele texto, quis destacar, principalmente, as novas condições de competitividade dos investimentos de renda variável, que passaram a prevalecer com a grande e continuada queda nos juros primários da nossa economia. Decidi voltar ao tema para abordar um aspecto associado a essa modificação do mercado de capitais, que também pode ser de grande importância quando da consideração das vantagens das aplicações em ações por parte das pessoas físicas e das famílias. Trata-se do "dividendo" e de sua utilização na formação ou na complementação da renda familiar.

Os grandes investidores e os profissionais do mercado têm, por hábito e obrigação, o costume de considerarem os dividendos como indicadores da performance empresarial ou pelo conceito que estes representam de fato, qual seja, o de corresponderem à porção do lucro das empresas distribuída aos acionistas, na proporção de sua participação relativa no capital social (número de ações possuídas em relação ao total), ao término de cada exercício fiscal (em geral um ano), depois de descontadas as incidências tributárias. E esse tipo de consideração é de fato importante para balizar o cotejo entre as opções de investimento ou para o gerenciamento profissional e eficaz das decisões de compra, venda ou mudança de posições. Nesse propósito, é comum a utilização de índices (a maior parte deles divulgada diariamente) que mostram a relação entre os lucros apurados e o preço corrente das respectivas ações. Em princípio, quanto mais elevada for essa relação, melhor qualificado será o investimento envolvido, desconsideradas as demais características próprias do mercado de capitais e as diferenças empresariais e setoriais. Em algumas circunstâncias, não se pretende auferir renda com os dividendos em si, de vez que podem ser perseguidos melhores resultados com a própria evolução patrimonial das carteiras de ações ou com as mudanças estratégicas de posição.

No entanto, para pequenos investidores e para as famílias em geral, os dividendos podem ser considerados sob um prisma mais objetivo, prático e imediato: o do ingresso periódico de um valor extra para complementar a renda básica original. Não é difícil identificar empresas ou setores que apresentem, habitual e continuadamente, uma distribuição significativa de dividendos quando cotejada com o valor investido na compra das respectivas ações. No caso brasileiro, alguns setores como os de geração e distribuição de energia, de siderurgia, de mineração, de construção, de bancos e de petróleo, por exemplo, têm alcançado bons índices para serem considerados uma boa aplicação. Essa seria a expectativa da contribuição adicional dos dividendos na renda das pessoas ou famílias que se dispusessem a optar por investimentos seguros no mercado de renda variável.

De todo modo, em se tratando da poupança de pessoas ou famílias, sempre é recomendável a observância das regras de prudência na busca de melhores resultados ou na agregação de parcelas extras de renda, principalmente no que diz respeito à diversificação dos investimentos e à fixação de um limite máximo para a proporção da renda variável no total das aplicações de todas as espécies.
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