Investimento em Infraestrutura e o PIB (2)

Publicado em 15 outubro 2012

Neste segundo tópico da série, gostaria de abordar, de início, uma dualidade interessante. Se, de um lado, só se consegue o crescimento sustentado do PIB quando se dispõe de infraestrutura adequada e eficiente, por outro, os investimentos em obras e serviços de implantação, conservação, manutenção e melhoria dos itens que compõem essa mesma infraestrutura costumam ser um poderoso fator de crescimento do próprio PIB, pela simples injeção financeira que promovem na economia.

Os dois aspectos mencionados aparecem nitidamente na performance econômica e no nível de desenvolvimento alcançado nos países de melhor desempenho recente, notadamente na China e em outras regiões do sudeste asiático. A comparação internacional, em geral, é muito desfavorável ao Brasil. Os países emergentes da Ásia, incluindo a China, o Vietnã, a Coréia do Sul e a Tailândia, têm conseguido investir em infraestrutura, fração próxima ou superior a 10% dos respectivos PIBs. Perifericamente a esse núcleo mais ativo, outros países como as Filipinas, a Índia e o Japão também têm conseguido taxas de investimento elevadas, quase todas superiores a 5% do PIB. Na América Latina, alguns dos nossos vizinhos também se destacam, merecendo menção os casos da Colômbia, do Peru, do Chile e do México. Mesmo na Europa, combalida por uma crise financeira que já se sustenta por tempo relativamente longo, e já previamente bem dotada de equipamentos infraestruturais, alguns países têm conseguido manter investimentos razoáveis nesse setor, notadamente a Alemanha, a Bélgica, a França e a Inglaterra.

Estudos do Banco Mundial apontam para a necessidade de manutenção, durante período de pelo menos quinze anos, de investimentos infraestruturais não inferiores a 6% do PIB, em países de características semelhantes às do Brasil, com taxas decrescentes de crescimento demográfico e com grandes carências setoriais (energia, comunicação e saneamento), para que sejam alcançados níveis satisfatórios de desenvolvimento socioeconômico, semelhantes aos apresentados pelas nações que já decolaram nos anos recentes.

Nesse panorama geral, é preocupante registrar a situação brasileira, cuja infraestrutura deficiente e deteriorada está sendo objeto de investimentos limitadíssimos, já há quase três décadas. De fato, sem mencionar alguns anos excepcionalmente ruins, não temos conseguido, nos demais, sustentar taxas de investimento superiores a 2% do PIB na melhoria, modernização, manutenção e ampliação do conjunto de equipamentos que constitui a infraestrutura nacional. É muito pouco. Não chega a ser suficiente para a simples manutenção do capital fixo aplicado. Como resultado disso, estamos deixando que se amplie o passivo já acumulado, afetando, de forma cada vez mais intensa, os níveis de produtividade da indústria e as exigências de conforto e segurança da sociedade.

Essa situação precária e deficiente tem as suas causas. Pretendo abordá-las em tópico subsequente.
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