Investimentos (2)

Publicado em 19 dezembro 2012

1 comentários

Em tópico anterior desta série, mencionei a importância atual dos recursos que chegam ao país na forma de Investimento Estrangeiro Direto – IED, conforme o nosso padrão oficial de contabilização. Na realidade, somente são contabilizados nessa rubrica os aportes de capitais provenientes do exterior destinados a empresas que operam no território nacional e que são controladas pelo investidor estrangeiro (participação acionária mínima de 10% do investidor estrangeiro no capital votante da empresa que recebe os recursos). Esse tipo de afluxo de recursos externos tem uma característica especial muito importante: ele é aplicado diretamente na estrutura produtiva nacional, seja na ampliação ou modernização de instalações já existentes, seja na constituição de novas companhias ou unidades de produção. Essa observação vale tanto para as operações efetuadas com o objetivo de aumento ou subscrição inicial de capital nas empresas controladas e que operam no território nacional, como para aquelas operações que consubstanciam simples empréstimos das matrizes para as suas subsidiárias ou filiais.


As outras formas de captação de poupança externa, oficialmente contabilizadas como "Investimento Estrangeiro em Carteira" e que incluem a compra ou subscrição de ações de companhias não controladas pelo investidor (participação inferior a 10%), a aplicação em títulos de renda fixa ou em outros derivativos, apresentam características mais especulativas e são mais voláteis do que o IED. Em geral, essas formas mais especulativas de investimento estrangeiro costumam chegar de acordo com as oportunidades de cada momento, passam pelo mercado financeiro e saem ao primeiro sinal de conjunturas transitórias desfavoráveis. Muitas crises financeiras de graves consequências no mercado internacional surgiram, justamente, pela preponderância exagerada desses capitais especulativos e voláteis em algumas economias emergentes, desde a crise mexicana de 1994. Daí a importância do IED como fator sustentável e comprometido com o desempenho econômico do país importador da poupança externa em um horizonte mais longo e estável.


As características mencionadas no parágrafo anterior foram rapidamente assimiladas pelos governos e seus planejadores em todo o mundo e a maioria dos países que praticam uma política consciente de crescimento acelerado, incluindo aqueles que dispõem de boas taxas internas de poupança, passou a disputar os capitais disponíveis, estimulando o crescimento do IED nos respectivos territórios. A performance brasileira nesse particular tem oscilado bastante. Após um período de ingressos muito baixos (2001 a 2006), cuja média situou-se em escassos US$ 19,5 bilhões por ano, valor muito inferior ao que já havia sido alcançado nas décadas de 1960 a 1980, o IED nacional voltou a apresentar uma auspiciosa tendência de crescimento, saltando de US$ 33,7 bilhões em 2007 para US$ 66,7 bilhões em 2011, já descontadas as repatriações legais. E, segundo as expectativas mais atualizadas, devemos encerrar o exercício de 2012 com um valor de IED quase próximo da excepcional marca obtida em 2011. Nesse processo de atração da poupança externa produtiva, ultrapassamos diversos outros países emergentes e concorremos agora com o seleto grupo formado pela União Europeia, China e EUA. Nos níveis atuais, o Brasil já é responsável por mais de 4% do fluxo mundial de IED.


 A manutenção dessa tendência favorável exige certos requisitos, que não diferem substancialmente daqueles requeridos pelos investimentos internos. Além disso, não podem deixar de ser observados, também, os efeitos dos ingressos de IED sobre o equilíbrio das contas externas brasileiras. Pela importância que atribuo a esses fatores, pretendo abordá-los em tópico subsequente deste blog.

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1 comentários para "Investimentos (2)"

comprar seguidores
comprar seguidores disse: 06 fevereiro 2014
cara esse post muito bom vlw !

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