Mecanização na Construção Civil (1)

Publicado em 17 setembro 2012

1 comentários

Historicamente, o setor de edificações no Brasil sempre exibiu características muito diferentes daquelas observadas em quase todos os outros ramos da indústria, notadamente no que diz respeito ao uso intensivo de equipamentos e de tecnologias modernas de produção. A industrialização brasileira, iniciada após o término da Segunda Guerra Mundial e forjada no âmbito do processo econômico usualmente identificado como "substituição de importações" apresentou resultados extraordinários em muitos setores. Em pouco mais de quatro décadas, muitas das nossas indústrias alcançaram escala significativa, passaram a ter competitividade internacional e disponibilizaram, no mercado interno, uma linha variada de produtos de boa qualidade e elevado conteúdo tecnológico.



No extremo oposto, a construção civil continuou a praticar técnicas rudimentares de produção, em processos quase artesanais, de baixíssima produtividade, à exceção de alguns empreendimentos de grande porte desenvolvidos no âmbito do setor da construção pesada. No entanto, essa defasagem vem sendo rapidamente recuperada, especialmente na última década, sob os efeitos daquilo que se convencionou chamar de "mecanização dos canteiros".

Essa mecanização, materializada principalmente na utilização de equipamentos de movimentação e transporte (vertical e horizontal), no emprego de formas e escoras reutilizáveis e planejadas, na aplicação de grandes peças pré-fabricadas e no uso de materiais ou componentes concebidos para manuseio automatizável, tem produzido resultados notáveis. Os mais visíveis são a melhoria de qualidade final das moradias, a diminuição do prazo das construções, a redução no desperdício de materiais e a melhoria geral da produtividade, possibilitando o aumento na escala de produção e a redução dos preços de venda.

No processo rudimentar utilizado anteriormente, o prazo médio de conclusão de uma obra no Brasil era quase três vezes superior ao observado nos EUA e cerca de 50% maior que o alcançado nos países da União Européia, se considerados, simultaneamente, os tempos de desembaraço dos terrenos e de licenciamento das obras. O uso intensivo de mão de obra pouco qualificada resultava em produtividade final de apenas 15% quando comparada com a norte-americana e de 70% quando comparada à européia (se medidas pelo número de homens-hora necessários à construção de um metro quadrado de edificação). Esse talvez fosse o principal fator para que o operário de construção no Brasil tivesse uma remuneração média quase onze vezes inferior à de um equivalente norte-americano e oito vezes inferior à de um europeu.

Essa questão merece ser examinada com mais detalhe, o que pretendo fazer em tópico subsequente deste Blog.
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1 comentários para "Mecanização na Construção Civil (1)"

Reinaldo Costa
Reinaldo Costa disse: 06 agosto 2014
Excelente postagem. Somos fabricantes de estrutura metálicas e equipamentos para construção civil e estamos sempre atentos as constantes atualizações do mercado.\n\nR7 Equipamentos

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