Poder de Compra

Publicado em 12 setembro 2012

2 comentários

Em outro item deste Blog, comparei os mercados habitacionais do Brasil e do México. Essas comparações, desde que observados os respectivos contextos, são sempre úteis para que alguns movimentos econômicos possam ser bem compreendidos. Com esse propósito, vou desenvolver outra comparação. Desta vez, focando os reflexos do aumento do poder de compra dos trabalhadores de alguns setores econômicos nos mercados dos próprios ramos da indústria que os empregam. Parece interessante comparar o fenômeno ocorrido na incipiente indústria automotiva norte americana do início do Século XX e no Japão do pós guerra com aquele que está acontecendo agora na indústria da construção civil brasileira.

Em 1914, Henry Ford revolucionou o mercado de trabalho norte americano, aumentando os salários nas suas fábricas, de US$ 2,40 para US$ 5,00 por dia trabalhado. O aumento de produtividade observado então, não resultou somente da implantação das revolucionárias linhas de montagem em série. Muito desse aumento resultou de mudanças comportamentais dos próprios trabalhadores, que, mais motivados e com expectativas otimistas, reduziram os focos de improdutividade, o absenteísmo e as horas ociosas. Mas, o resultado mais notável desse movimento foi o seu reflexo no mercado da própria indústria. Em 1915 já circulava nos EUA um milhão de carros Ford Modelo "T", muitos deles, dirigidos pelos próprios trabalhadores que os haviam produzido e que tinham sido alcançados por um inesperado aumento de poder de compra. Fenômeno semelhante aconteceu no Japão do pós guerra, com a implantação do chamado "Bottom-Up System", método de premiação que permite a cada trabalhador apropriar-se dos ganhos de produtividade que ele próprio tenha gerado. Também ali, muitas das indústrias passaram a ter os seus colaboradores como novos clientes, ampliando os respectivos mercados.



Atualmente, a construção civil brasileira está pagando salários superiores aos de muitas categorias, anteriormente melhor remuneradas. Não é apenas uma forma de recrutar um contingente maior de colaboradores. É um resultado do próprio momento de expansão do nosso mercado habitacional. No meu contato direto com esse mercado, pude perceber que muitos trabalhadores do setor estão se constituindo, eles próprios, em compradores das novas moradias que ajudam a construir.  Isso já é uma parcela significativa e tende a ampliar-se com a continuidade do aumento de poder de compra desse segmento, conforme garantem todas as projeções de salários e renda. No caso particular da MRV, vejo com enorme entusiasmo e muito orgulho, o grande número de colaboradores nossos que estão adquirindo a  sua casa própria.
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2 comentários para "Poder de Compra"

Ulisses
Ulisses disse: 18 setembro 2012
Acredito que cada trabalhador também deve se orgulhar de poder proporcionar com orgulho tal crescimento, tanto da empresa quanto do(s) empreendimento(s) que porventura poderá adquirir se assim desejar.
Quem sabe o crescimento e envolvimento das classes com o mercado consumidor também ajude a desenvolver o interesse pela educação, promovendo maior crescimento não só populacional mas também intelectual do nosso país.
Rafael Tello
Rafael Tello disse: 24 setembro 2012
O aumento salarial, e do poder de compra, é positivo e sustentado se for acompanhado por aumento equivalente da produtividade (conforme apontado no caso japonês). Na MRV este aumentado está sendo observado?

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