Previsões para 2013 - Economia

Publicado em 10 janeiro 2013

1 comentários

Previsões são sempre imperfeitas, principalmente em economia, já que os cenários podem mudar inesperadamente e as conjunturas costumam responder de forma muito variável às medidas de política econômica que são adotadas em cada situação. Essa circunstância parece-me especialmente verdadeira neste princípio de ano.


De fato, estamos começando o ano na presença de indicadores desfavoráveis, como a preocupante taxa de inflação projetada para o exercício (5,5% segundo a última edição do Boletim Focus, publicado pelo Banco Central), acompanhada de perdas significativas nas nossas posições de balança comercial (pior resultado dos últimos dez anos) e nos índices de superávit primário (saldo necessário ao pagamento dos juros). Essas circunstâncias desfavoráveis já se refletiram nas próprias projeções oficiais de crescimento do PIB para 2013 (que segundo o mesmo Boletim Focus seriam de apenas 3,3%).


No entanto, vejo alguns indícios mais animadores que, se confirmados, poderão alterar significativamente esse quadro desfavorável com que iniciamos este ano de 2013. Diferentemente do que ocorria até então, muitos gestores públicos têm se manifestado sobre a necessidade urgente de criação das condições objetivas para a retomada do crescimento, incluindo a volta a uma política mais rígida de observância dos três pilares básicos que vinham garantindo a nossa estabilidade econômica desde o advento do Plano Real, quais sejam, o câmbio flutuante, o regime de metas de inflação e o equilíbrio fiscal. Mais importante ainda, são as lúcidas manifestações de alguns desses gestores econômicos, que reconhecem a necessidade urgente de enfrentamento dos obstáculos que tenho destacado neste blog: a elevada carga tributária, o excesso de burocracia, as deficiências na infraestrutura, o ambiente desfavorável aos negócios e o baixo nível dos investimentos.


O governo reagiu com razoável rapidez aos resultados negativos da nossa economia no último trimestre de 2012 e, entre outras medidas emergenciais, adotou um conjunto de estímulos ao setor da construção civil, ainda nos últimos dias do ano passado. Essa postura mais vigilante e ágil permite supor que acabarão por prevalecer os objetivos gerenciais mencionados no parágrafo anterior. Nessa hipótese, estarão reunidas algumas das condições objetivas essenciais à busca de um crescimento econômico mais robusto, sendo possível, inclusive, que a meta de 3,3% estabelecida para o PIB venha a ser atingida. Caso contrário, estaremos fadados a repetir o desempenho anterior, quando foram fixadas metas oficiais de crescimento do PIB de 4,5% para 2012 e que acabaram resultando no baixíssimo índice de apenas 0,98% (segundo as estimativas mais atualizadas do mesmo Boletim Focus). Aliás, na ocasião, foi justamente a ausência dos indícios positivos que acabei de mencionar como já presentes nas manifestações atuais de alguns gestores da nossa economia, que me levaram a registrar a opinião de que, no máximo, alcançaríamos metade do crescimento oficialmente projetado pelo governo (twitter @rubensmenin 18/12/2011). Vamos torcer, positivamente, para que prevaleçam, em 2013, as posições mais sensatas, mais lúcidas e inadiavelmente necessárias para o enfrentamento dessa conjuntura desfavorável.

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1 comentários para "Previsões para 2013 - Economia"

julian cesar lopes
julian cesar lopes disse: 29 janeiro 2013
parabens pelo blog

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