Previsões para 2013 - Economia (Indicadores)

Publicado em 25 janeiro 2013

Em tópico anterior deste blog, nesta série de previsões para o ano de 2013, fiz uma análise expedita acerca do desempenho esperado da nossa economia interna, focando, essencialmente, as possibilidades de crescimento do PIB. Achei oportuno complementar aquela abordagem, com o exame de alguns dos indicadores que costumam despertar maior interesse, não só para o planejamento de negócios, como também, para a vida diária dos cidadãos e contribuintes: a carga tributária média e as taxas de juros, inflação e câmbio.


O governo e os analistas de mercado envolvidos nas projeções registradas no Boletim Focus (editado pelo Banco Central) têm situado as previsões oficiais da taxa de inflação de 2013 no patamar de 5,5%. Além de situada acima da meta estabelecida para o corrente exercício (4,5%), essa projeção indica uma perspectiva de inflação muito alta, quando comparada aos padrões mundiais e aos resultados correntes que vêm sendo obtidos nas economias mais saudáveis e equilibradas do planeta (máximo de 2%). Na prática, se essas projeções se confirmarem, a inflação de 2013 repetirá, aproximadamente, aquela efetivamente observada no ano passado. Particularmente, eu também não acredito que o limite de 5,5% venha a ser excedido. Pelo menos, não de forma significativa ou capaz de configurar um "estouro" inflacionário. No contexto geral e na conjuntura da crise internacional em que estamos mergulhados à nossa revelia, essa não deixa de ser uma perspectiva tranquilizante.


O relativo controle da inflação, mencionado no parágrafo anterior, abre um espaço importante para a continuidade do processo de redução dos juros básicos (SELIC), ainda que em degraus mais suaves e espaçados. Essa é uma possibilidade interessante, tendo em vista os impactos diretos dessa variável no nível de investimentos e de consumo, assim como no próprio dinamismo geral da economia. Na pior das hipóteses, o controle da inflação, ainda que relativo, poderá afastar o fantasma da elevação da taxa básica de juros, que já vinha sendo cogitado e especulado por muitos analistas do mercado financeiro, para o segundo semestre de 2013. Esta é uma boa causa para a nossa torcida otimista.


Por outro lado, o receio de que a desvalorização cambial acabasse impactando os custos internos e elevasse as taxas de inflação não se configurou de forma muito intensa em 2012, quando a cotação do dólar norte-americano evoluiu de R$ 1,60 para R$ 2,05. Essa circunstância permite supor a existência de um espaço de desvalorização cambial capaz de elevar a cotação daquela moeda divisionária até próximo de R$ 2,20 ao final de 2013. Essa é uma hipótese razoavelmente concreta, tendo em vista a política governamental que vem sendo praticada nos últimos anos e que representa, na prática, um regime de semi-intervenção nas relações cambiais. De uma forma ou de outra, ou seja, pelo livre ajustamento do mercado ou pela discreta interferência governamental, a desvalorização cambial possível representaria um estímulo importante para a nossa competitividade internacional. É outra boa causa para a nossa torcida otimista.


Todos esses índices têm mútua inter-relação e a variação de um costuma implicar na alteração automática dos outros. No entanto, há que se destacar um efeito possível de todas essas conjecturas, desde que haja vontade política para isso. Trata-se do espaço que poderia ser aberto para a redução da carga tributária, decorrente da diminuição dos juros básicos e da desvalorização cambial, especialmente se vier a ocorrer um crescimento mais significativo do PIB. De todas as causas para a nossa torcida otimista, esta seria a mais importante, pelos efeitos diretos que traria no crescimento econômico e na preservação de algumas conquistas relevantes dos últimos anos, como o aumento continuado da renda e a manutenção do nível geral de emprego.  Alguns analistas acreditam que a simples ocorrência das condições macro-econômicas consideradas para 2013 nesta avaliação expedita, abriria um espaço suficiente para que a nossa taxa tributária média retornasse aos patamares de dez anos antes (cerca de 35% do PIB). Vamos torcer com força.

  • COMPARTILHE:

Deixe uma resposta O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Renda Per Capita Líquida

Publicado em 08 março 2017

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – acaba de divulgar os resultados principais das contas nacionais do exercício de 2016, quais sejam, o PIB – Produto Nacional Bruto e seus derivados diretos. O PIB, na realidade, corresponde à soma de todas as riquezas produzidas dentro do território nacional (desconsiderados os recebimentos recebidos do e as remessas enviadas para o exterior). Essa variável inclui...
Leia mais »

2017 vem aí!

Publicado em 29 dezembro 2016

3 comentários

É fácil aferir o sentimento dos brasileiros acerca do ano que está terminando. À medida que se aproxima o dia da virada de exercício, as manifestações, íntimas ou públicas, da grande maioria dos nossos patrícios só variam na forma ou no adjetivo de qualificação, mas, em geral, quase todas convergem para uma constatação fortemente depreciativa: vai-se embora um ano que não deixa saudades! De fato, foi um ano em que vivemos turbulências políticas e desastres econômicos sucessivos, que acabaram...
Leia mais »

Excesso de Justiça Não é Coisa Boa

Publicado em 31 agosto 2016

1 comentários

Existe uma enorme diferença entre uma sociedade estruturada com base em relações justas entre os cidadãos, com a observância geral dos direitos e sem a prepotência imposta pelos mais fortes, e outra em que os mecanismos de Estado utilizados para garantir essas mesmas relações justas e isonômicas são excessivamente exigidos, apresentam-se permanentemente congestionados e funcionam com intensidade além das expectativas razoáveis. Na primeira hipótese, temos uma situação equilibrada e saudável,...
Leia mais »

Juros Altos: Como Enfrentar Esse Inimigo

Publicado em 25 maio 2016

Antes de 1994, quando a URV (Unidade Real de Valor) foi substituída definitivamente pelo Real (a nova moeda que circula até hoje), a inflação era, de longe, o maior inimigo dos brasileiros e de nossa economia. De fato, àquela altura (junho de 1994), a inflação mensal era de 47,43% e a inflação anual alcançava o inacreditável patamar de 4.922%. Ou seja, o preço de todos os bens ou serviços subia quase 50% em um único mês, entre dois recebimentos consecutivos do mesmo salário!  Essa balbúrdia...
Leia mais »

Mazelas da Indústria

Publicado em 13 abril 2016

2 comentários

Os diversos fatores (internos e externos) que concorreram para debilitar a economia brasileira no momento atual combinam-se de maneira diferenciada em sua ação deletéria pelos diversos setores e segmentos. Por isso, algumas atividades acusaram mais rapidamente os seus efeitos. Também por isso, outros segmentos foram afetados mais fortemente. No presente tópico, quero destacar especificamente o comportamento do setor industrial nessa época de crise e alinhavar algumas das características...
Leia mais »