Sugestões para um 2013 melhor

Publicado em 29 janeiro 2013

1 comentários

Desenvolvi recentemente neste blog uma série de tópicos com os cenários que enxergo para o ano de 2013, não apenas para o segmento da construção habitacional, como também para o desempenho da economia (brasileira e mundial). Apontei dificuldades, oportunidades e desafios. Não será um ano fácil, em minha opinião. Mas, ele está apenas começando e vejo enormes possibilidades de revertermos tendências ou fatores adversos, se soubermos fazer as escolhas certas, com rapidez. Para sintetizar o meu pensamento acerca dessas escolhas, decidi resumir, no espaço seguinte, os cinco objetivos principais que deveríamos perseguir com afinco para garantir um melhor desempenho em 2013, a maior parte dos quais já foi objeto de análise individualizada neste mesmo blog.


O primeiro e mais importante desses objetivos deveria ser o combate implacável ao excesso de burocracia, que vem se espalhando como uma praga em todos os setores e compartimentos da administração pública, para grande prejuízo dos negócios, das atividades econômicas e do conforto e produtividade dos próprios cidadãos. Já tivemos um exitoso Ministério da Desburocratização, cujos resultados, infelizmente, desapareceram junto com a instituição. Por que não reativarmos uma iniciativa semelhante?


Em segundo lugar, eu destacaria a necessidade urgente de criarmos, no país, um ambiente favorável aos negócios, combatendo o forte preconceito antiempresarial existente na administração pública e disseminado pela academia, evitando a insegurança jurídica decorrente das modificações frequentes das normas e regulamentos, garantindo a liberdade de contratar, melhorando a governança regulatória e diminuindo a interferência governamental na economia. Algumas iniciativas relativamente simples nessa direção seriam suficientes para estimular de modo significativo os investimentos internos e externos e para alavancar o PIB.


Como terceiro objetivo, eu situaria a impostergável conveniência de concentração de investimentos na implantação, melhoria, recuperação e reforma dos equipamentos que constituem a infraestrutura nacional, focando, principalmente, os setores de transporte, energia, comunicações, saneamento e estocagem. É possível e desejável ampliar a nossa taxa de investimentos em infraestrutura, dos atuais 2% para 6% do PIB, contando com a participação de capitais privados, nacionais e estrangeiros. Um programa dessa amplitude poderia produzir impactos imediatos no crescimento econômico, alavancando o PIB em até 2%.


Um quarto objetivo, em minha opinião, corresponderia ao fortalecimento do mercado de capitais no país, tornando a sua regulamentação mais prática e objetiva e reduzindo os ônus operacionais. Algumas providências simples na área tributária, administrativa e fiscal seriam suficientes para garantir a existência de um mercado de capitais mais robusto e eficiente, contribuindo para a capitalização das empresas e para a atração de investimentos.


Eu destacaria, como quinto objetivo, a busca de uma política externa mais pragmática e melhor estruturada, contemplando com prioridade as potencialidades das relações bilaterais com todos os países que podem se transformar em parceiros mais interessantes para o incremento das nossas trocas internacionais (exportações e importações). Uma revisão desse tipo permitiria reposicionar alguns dos interesses nacionais mais estratégicos, que não vêm sendo convenientemente agasalhados no âmbito de blocos regionais ou de organismos globais.


Evidentemente, como pano de fundo na busca desses cinco objetivos, nunca é demais reforçar a necessidade, já apontada em outros tópicos deste blog, da manutenção de uma política econômica equilibrada, especialmente no que concerne às taxas de câmbio (fator essencial para estimular as exportações e a competitividade), à redução dos juros básicos (principal variável para estimular os investimentos e sustentar os níveis de consumo), ao controle rigoroso da inflação (especialmente importante no estágio atual) e à redução dos gastos públicos de custeio (para garantir o equilíbrio fiscal e abrir espaço para que a taxa de investimentos possa superar os atuais 20% do PIB). Se junto com tudo isso, vier uma redução na carga tributária, tanto melhor !


Tenho a firme convicção de que o alcance, ainda que parcial, desses objetivos, poderá resultar em um bom desempenho da economia brasileira durante o ano de 2013 e, até, na mudança da nossa posição relativa no cenário global.

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1 comentários para "Sugestões para um 2013 melhor"

anderson da costa
anderson da costa disse: 30 janeiro 2013
A carga tributaria e a que tem mais dificultado a implementação de novos empreendimentos,alem da falta de uma politica mais direcionada para uma logística mais eficiente sem contar com a burocracia que atrasa entrega de muitos empreendimentos

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