Tabela Price - Considerações Adicionais

Publicado em 10 outubro 2013

7 comentários

No tópico anterior deste blog estive alinhavando algumas vantagens comparativas da Tabela Price no cotejo com outros sistemas adotados nos financiamentos imobiliários, por conta do interesse que esse assunto está despertando atualmente. Mas, acho que deixei de abordar o atributo mais importante, que aponta como especialmente vantajosa e conveniente, no momento atual, a adoção desse tradicional método financeiro (Tabela Price). Por isso, decidi complementar o tema com as considerações seguintes.


Na realidade, alguns agentes financeiros do sistema nacional de financiamento à habitação vacilam, no momento, entre o abandono provisório do método ou a volta de sua utilização plena. O fator que mais tem pesado nas considerações dos agentes financeiros parece ser o que apontaria para uma maior segurança dos métodos alternativos (SAC e SACRE) no que concerne à inadimplência dos mutuários. Alguns analistas entendem que esses métodos alternativos, ao forçarem os tomadores dos empréstimos a desembolsarem parcelas mensais de maior valor no início do período contratual e, por conseqüência, acelerarem o ritmo de amortização, estariam contribuindo para que houvesse uma maior propensão à adimplência, ou seja, menor disposição para atrasos e calotes. Essa não é a minha opinião.


Não é preciso aumentar as prestações iniciais para desestimular a inadimplência. A aplicação da Tabela Price também garante, desde o início, a ocorrência de amortizações do empréstimo tomado, mesmo com prestações de menor valor, configurando o mesmo desestímulo ao abandono ou à interrupção dos pagamentos por parte dos mutuários. Acho, até, que pode ocorrer um efeito oposto, de vez que a Tabela Price corresponde a um método que se ajusta de forma mais adequada à renda do tomador do empréstimo e à sua evolução ao longo do prazo contratual, na maioria dos casos.  De fato, a maior parte dos financiamentos habitacionais é concedida para famílias recém formadas ou para mutuários jovens, cuja renda deve crescer com o tempo e não decrescer a partir de um patamar inicialmente elevado. Quando o comprometimento da renda com o pagamento das prestações é mais ajustado e natural, a inadimplência forçada diminui. Essa é a minha percepção.


Além disso, a utilização da Tabela Price possibilita a extensão dos financiamentos imobiliários a um número muito maior de pretendentes, facilitando o equacionamento da questão da casa própria para os contingentes de menor renda. Isso porque, nos métodos alternativos, cujas prestações iniciais são mais elevadas, as exigências para comprovação de rendas igualmente mais altas afastam muitos pretendentes. Segundo os dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias – ABRAINC, a utilização da Tabela Price pode representar uma redução da ordem de 35% no valor das prestações iniciais e, portanto, na renda garantidora comprovável, quando comparada com as que decorreriam da utilização dos métodos alternativos. O financiamento imobiliário para a compra de uma moradia de R$ 130 mil, por exemplo, quando negociado pelo sistema SAC, exige a comprovação de uma renda garantidora (salário) da ordem de R$ 3.900,00 e as primeiras parcelas de pagamento do empréstimo estariam situadas em torno de R$ 1.300,00. Quando o mesmo financiamento é feito com base na Tabela Price, as primeiras prestações cairiam para pouco mais de R$ 830,00 e a renda garantidora não ultrapassaria R$ 2.400,00.


Na outra ponta do sistema, ou seja, para o setor da Construção Civil, a adoção plena da Tabela Price também seria uma opção conveniente, tendo em vista que esse procedimento por parte dos agentes financeiros contribuiria para diminuir a perda de ritmo do mercado. A mesma fonte de informações citada no parágrafo anterior estima em 200 mil o número anual de compradores potenciais que seriam alijados do mercado caso o uso da Tabela Price viesse a ser totalmente abandonado. Isso equivale à manutenção ou perda de aproximadamente 300 mil postos de trabalho no segmento de Edificações.


Achei importante fazer essas considerações adicionais e acrescentar as minhas opiniões pessoais, para que o assunto do momento no mercado imobiliário pudesse ser melhor compreendido.

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7 comentários para "Tabela Price - Considerações Adicionais"

Nemerson Gomes
Nemerson Gomes disse: 20 outubro 2013
Post muito oportuno diante da iminente inutilização desse sistema de amortização pela CEF.
A falta de conhecimento sobre o tema por parte de diversos stakeholders (conversei com um construtor da PB e ele demonstrou total ignorância), aliada ao discurso de que "as parcelas no PRICE aumentam muito" reverberados até mesmo por representantes de agentes financeiros, contribuem para a nao aplicação desse método.
Flávio Roma
Flávio Roma disse: 22 outubro 2013
Trabalho em um correspondente em Recife-PE e atualmente estou repassando um empreendimento de 472 unidades. Se não fosse a tabela PRICE, provavelmente teríamos um índice de distratos de mais de 60% no empreendimento. Por utilizar os 30% da renda do cliente como critério de analisar a capacidade de pagamento, na tabela PRICE um cliente com renda de R$ 1.700.00 consegue de financiamento e subsidio um valor de cerca de R$ 105.000,00, enquanto na tabela SAC não chegaria a R$ 80.000,00. A PRICe
Flávio Roma
Flávio Roma disse: 22 outubro 2013
Trabalho em um correspondente em Recife-PE e atualmente estou repassando um empreendimento de 472 unidades. Se não fosse a tabela PRICE, provavelmente teríamos um índice de distratos de mais de 60% no empreendimento. Por utilizar os 30% da renda do cliente como critério de analisar a capacidade de pagamento, na tabela PRICE um cliente com renda de R$ 1.700.00 consegue de financiamento e subsidio um valor de cerca de R$ 105.000,00, enquanto na tabela SAC não chegaria a R$ 80.000,00, tendo que aportar um valor elevado e que por ser um cliente da linha do Minha Casa Minha Vida, provavelmente iria distratar por não possuir o aporte necessário.
Nemerson Gomes
Nemerson Gomes disse: 24 outubro 2013
Fernando, Enquanto a economia estiver estabilizada e a inflação sob controle, sem duvida o Price é uma opção extremamente interessante para os clientes com renda mais baixa.
E não esqueça do almoço que estou te devendo, rs!
Leonardo
Leonardo disse: 24 outubro 2013
A Tabela Price será valida ate 31/10/2013, uma verdadeira palhaçada da CEF, pois estou em processo de financiamento desde julho/2013 e ate agora não concretizei meu contrato com a CEF, com isso estou de mãos atadas porque caso ate dia 31/10/13 não assine o contrato a tabela Price sera "extinta" pela CEF. Gostaria que alguém me ajude para saber qual caminho devo percorrer.
Ana
Ana disse: 14 março 2016
Alguém saberia me dizer, quanto mais ou menos é o aumento anual da parcela no price??? Obrigada

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