Troca de Tecnologia

Publicado em 26 agosto 2014

7 comentários

No tópico antecedente deste blog mencionei o moderno processo de gestão, usualmente denominado de "benchmarking", para justificar a conveniência de buscar sempre exemplos vencedores, estejam eles onde estiverem, e utilizar as experiências bem-sucedidas em nosso próprio benefício, ou seja, para ajudar a resolver os problemas da realidade em que estamos inseridos. Diante das possíveis e esperadas críticas que vivem repetindo o surrado e equivocado chavão segundo o qual os problemas nacionais são "brasileiros" e só devem ser enfrentados com a nossa tecnologia, decidi relatar uma experiência de intercâmbio técnico, posta em marcha pela nossa construtora e que vem colhendo benefícios extraordinários, ainda que o mercado imobiliário norte-americano (onde opera o nosso parceiro neste programa, o AHS Development Group LLC) tenha características significativamente diferentes do mercado nacional, em certos aspectos.


De fato, tanto a MRV Engenharia como o AHS, atuam em seus respectivos mercados (brasileiro e norte-americano) construindo e comercializando, como item principal da linha, apartamentos de dois dormitórios do tipo econômico, ou seja, destinados ao público de renda baixa ou intermediária. Mas, os dois produtos diferem bastante em algumas características e nos requisitos arquitetônicos, como a área interna, por exemplo. Os apartamentos oferecidos pela nossa parceira norte-americana têm, em média, 70 metros quadrados de área e contam com suítes e cozinhas amplas. Já os que a MRV oferece no Brasil possuem cerca de 45 metros quadrados, nem sempre incluem suítes e, em geral, a cozinha é projetada no estilo compacto. Se existe a coincidência de que ambos os produtos sejam projetados, em regra, com uma vaga de garagem por unidade habitacional e com soluções de acabamento muito semelhantes, ocorre uma significativa diferença no que concerne às instalações elétricas para as quais são dimensionadas as habitações: no modelo norte-americano a carga elétrica prevista é quase três vezes superior à utilizada no similar nacional.


As diferenças alcançam outros pontos importantes: ao contrário do padrão nacional, o imóvel norte-americano é sempre dotado de sistema central de ar-condicionado e costuma ser entregue com a cozinha montada (incluindo todos os tipos mais corriqueiros de eletrodomésticos). Mais do que uma preferência de cada país, essas diferenças evidenciam a variabilidade da situação de renda dos respectivos compradores. Nos EUA, o comprador potencial desse tipo de imóvel popular costuma ter renda anual da ordem de R$ 100 mil, cerca de três vezes a apresentada pelo comprador nacional.


Em decorrência dessas diferenças, o custo desse padrão de imóvel nos EUA é bem superior ao da habitação nacional, chegando a R$ 300 mil no câmbio atual, contra um preço da ordem de R$ 140 mil do similar nacional. Evidentemente, a diferença de custo por metro quadrado é muito menos significativa: R$ 4.300,00 nos EUA contra R$ 3.100,00 nas principais cidades brasileiras. Há que se registrar, que, diferentemente do Brasil, cerca de 40% dos imóveis econômicos construídos nos EUA são destinados à locação e o preço do aluguel também é muito superior por lá: R$ 3.000,00 contra cerca de R$ 900,00 no nosso país.


Apontei essas diferenças entre os dois mercados e seus respectivos produtos para enfatizar a questão principal, qual seja, elas não impedem o intercâmbio tecnológico e a adoção de soluções eficientes em benefício de ambas as partes.  Antes que a continuidade da experiência e a consolidação do programa pudessem mostrar, concretamente, o tamanho e a importância dos benefícios e vantagens alcançados, ambos os parceiros já acreditavam no sucesso desse método gerencial. Tanto assim, que, desde o início foram programadas visitas freqüentes de intercâmbio, nas quais as equipes técnicas da MRV e do AHS acessam os canteiros de obras e as instalações administrativas, uma da outra, para detalharem os métodos e processos, tanto construtivos quanto gerenciais, que possam levar à melhoria geral de produtividade, da qualidade e de custos. Essa tem se mostrado uma forma de cooperação extremamente positiva e, como ela, qualquer outra pode ser concebida e posta em marcha nos mais variados setores da economia, bastando que não haja preconceito e que se tenha uma visão clara dos efeitos atuais da globalização e das regras de competitividade entre os mercados.

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7 comentários para "Troca de Tecnologia"

Marcos Almeida
Marcos Almeida disse: 27 agosto 2014
Esta prática é excepcional. Muitos empresários não sabem o valor do benchmarking. Acham que o outro empresário não vai deixar saber dos modos operacionais da empresa. Caso seja negativo um pedido de benchmarking, os dois serão prejudicados. Porque a troca de informações para uma melhor gestão e muito boa para as duas empresas, sempre tem o que aprender. Só não podemos esquecer de sempre adaptar a nossa realidade, como é mencionado no texto. Muito bom o assunto!
Rubens Menin
Rubens Menin disse: 16 abril 2013
Obrigado Almeri, \npor favor para informações sobre a ABRAINC entre em contato com Carla Marcondes através do e-mail carla.marcondes@brodeur.com.br
epaminondas santana
epaminondas santana disse: 28 agosto 2014
E purco que nós termos que da valor
Marco Domine
Marco Domine disse: 02 setembro 2014
Nos modelos menores aqui no Brasil, existe uma solução que até hoje nao entendo o por que nao implementaram, ja que la fora é tão difundido e essa tecnologia é utilizada como padrão em muitos empreendimentos. A Porta de correr embutida seria de uma utilidade impar e diferenciaria demais as construtoras dos desastres de espaço útil que vemos nos dias de hoje. Esse tenho certeza seria um dos maiores benchmarks feitos na historia da construção. FICA AI A DICA !
SILVIA
SILVIA disse: 07 setembro 2014
excelente explanação do assunto.Um coaching nato.
Tony Costa
Tony Costa disse: 23 fevereiro 2015
Existem diferenças de regiao para regiao nos USA. O que funciona em Phoenix AZ, não pode ser traduzido em Atlanta, ou New York City. Cada mercado tem seu padrão de construção.
A sua metragem padrão de 70 m2 corresponde a um apto em um multi famíly home. Americano só vai morar em Apto quando não tem escolha. Dai portanto que tais edificações são para locação, ou no caso de centros urbanos de alta densidade , podem ser condominio. A moradia ideal do Americano continua sendo a casa própria com quintal e jardim, ou seja Single Famíly Home. E para isto ele paga mais. O subúrbio ainda não morreu. Deixou de ser sexy para algumas gerações , porém continua lá. Portanto, mêsmo um 2 dormitório, estamos falando 100m2,mínimo, para um Single Famíly Home.
A parte elétrica, se dá por uma cultura de construir para durar e render. Matériais elétricos são baratos , não vale a pena economizar centavos nisto. Ademais, quando se investe em produtividade ( ferramentas, treinamento ) para quer economizar centavos no material quando o custo mão de obra será o mesmo?Até mesmo porque material bom facilita o trabalho no canteiro de obra.
Ar condicionado central. No Norte ( west, East, rust belt ) , as construções residenciais novas tem calefação central forçada. Portanto o maior custo de distribuição de ar forçado já foi embutido na construção original, quando da instalação de dutos galvanizados. A instalação de uma unidade de compressão e radiador rende mais e consome menos energia. Vc já tem mao de obra ( Sheet metal Fabricator, pipe fitter ), para que inventar a roda?
Alias diga se de passagem, ar condicionado central é muito mais agradável e menos dependente a fiação elétrica. Ar split, e chuveiro elétrico só se usam no Brasil. Ao ver de Americanos e Europeus, são Uma aberração, que por sinal perigosa, no caso do chuveiro.
Tony Costa
Tony Costa disse: 23 fevereiro 2015
Continuando.... Eletrodomésticos Fogão, geladeira e persianas são mandatorios por lei. Que por sinal são um chamativo a mais. Lava roupa e lava pratos são Opcionais. Calefação e mandatorio.
Ainda no A/C. Casas antigas eram aquecidas a óleo na fornalha, portanto o aquecimento se dava Por irradiação, ao contrário dos sistemas atuais. A ventilação de interiores no passado era feita Por meio de habitações com pé direito mais generoso, janelas mais amplas. Mesmo com verões Humidos e quentes, tal dimensionamento funcionava. Hoje em dia , com ênfase na eficiência termica, Cria se dependência artificial no A/C.
Talvez esta seus uma das razões porque o Americano médio gosta de casas antigas ( Victorian, Greek Revival, entre outros estilos ).
Rubens Menin
Rubens Menin disse: 14 fevereiro 2014
Agradeço sua participação no complemento deste post, Priscila.

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